sábado, 3 de outubro de 2026

Fontes_Nascentes e Poços da União de Freguesia de Além da Ribeira e Pedreira

 

O fornecimento da água para o uso doméstico era feito frequentemente por três meios: aquedutos, poços, cisternas (públicas ou privadas) e fontes simples em meio rural – onde a qualidade da água provavelmente era um pouco melhor, visto que estaria longe da poluição dos meios urbanos já contaminados nesta altura. Poços e fontes eram instalados nos cruzamentos de ruas e nas praças das vilas; em algumas zonas, cisternas surgiam para complementar a distribuição. As cisternas e os poços eram mais voltados à fins particulares – no uso doméstico da água. E é comum no século XIV que estes fossem erguidos juntamente com as casas, sob o próprio edifício. Possuir uma serventia de água privada era um elemento de conforto: as mulheres não precisariam mais caminhar até uma fonte ou até uma nascente, “(...) o que era, decerto, uma distração, mas também uma obrigação aborrecida” (OPITZ 1990, p. 394).

A geração das décadas de 1950 a 1960 estava habituada a transportar cântaros de água. É por isso que quando há jogos tradicionais, um dos jogos é a corrida de cântaros, a fotografia a seguir é a prova disso:

Figura 1 - Festa da Póvoa anos 80 - corrida de cântaros Fonte: Fotografia do Facebook - 2010

Descrição dos diferentes tipos de armazenamento de água:

Cisterna – Depósito de águas pluviais, geralmente no subsolo e construído junto às habitações. Quando a água armazenada não era suficiente pedia-se a quem fazia o transporte da água para a abastecer.

Fonte – Chafariz público de água canalizada ou nascente.

Mina de água – Surgência de água cavada na rocha.

Nascente – Ponto de irrupção à superfície da água subterrânea.

Poço – Cova funda, geralmente revestida a pedra, onde se capta água de circulação subterrânea. Os poços junto a habitações também têm na sua maioria aproveitamento das águas.

Tanque - Depósito de águas pluviais, normalmente de forma retangular, mas construído ao nível da habitação. Construção mais económica, pois normalmente era mais pequeno que a cisterna e não era necessário fazer o cabouco para a sua instalação.

A freguesia só passou a dispor de uma rede de abastecimento público de água, na década de 1980 (após 1974). Até então, a população dependia de 24 pontos públicos de acesso à água, sob a forma de Fontes, Nascentes ou Poços.

“Em 1941 …iniciaram os estudos do abastecimento da Pedreira (Oosterbeek, 1997).”

 

Apresenta-se de seguida a identificação dos pontos de acesso a água pública com as coordenadas de localização e descrição histórica e geográfica:

1 - *Fonte do Brejo (1932)

Coordenadas: 39.67326241489089, -8.388167304943565

Localização/Descrição: Fonte construída pela Câmara Municipal de Tomar em 23-03-1932 (descrição na placa do espaldar). Situa-se na encosta do lado esquerdo da ribeira da Fervença. Os acessos e o restauro da fonte em Outubro de 2014, contudo neste intervalo de tempo o pináculo e base de pedra que sobrepunham a fonte desapareceram. Recuperada novamente em setembro de 2024 e feitos melhoramentos em seu redor pelo Sr. Fernando Freitas com o apoio da J.F. de Além da Ribeira e Pedreira.

                                

Figura 2 - Fonte do Brejo Fonte: Fotografia do Facebook - Sr. Jaime 2012

 

Figura 3 - Fonte do Brejo Fonte: Fotografia da autora Out26

 

Figura 4 - Indicação no caminho de terra batida, quem vem dos Calvinos para Casal de Baixo da Fonte do Brejo

2 - Fonte do Curto (1958)

Coordenadas: 39.67876912656467, -8.38908126490423
Localização/Descrição: Situada na Rua do Curto, junto à Azenha do Curto (Carvalhal). Trata-se de uma nascente de água com reservatório e uma torneira.

Em junho de 2024 foram feitos melhoramentos e pintada.

Figura 5 - Fonte do Curto Fonte: Fotografia da autora Out26

3 - Poço no Pereiro

Coordenadas: 39.6822247316698, -8.414830343796396

Localização/Descrição: Localizada no Pereiro, no caminho para a Relvancha. É um poço tapado, onde em cima tem uma estrutura metálica com roldana que serviria para descer e subir o balde.

"Na sessão de 21 de Junho de 1889 foi ...; um caminho no lugar da Enxofreira, e a fonte deste lugar"

Figura 6 - Poço do Pereiro Fonte: Fotografia da autora Out26

4 – Poço do Povo na Póvoa  (1841?)

Coordenadas: N 39˚39.498’ W008˚24.246’ 39.65831161892847, -8.404138469284867
Localização/Descrição: Localizada na Rua da S. Lourenço, por detrás da Capela da Póvoa. Fonte com bomba manual de extração de água (pega-se na manivela e com força puxa-se para cima e para baixo de forma a água sair para o cântaro ou balde) e pia com base de pedra para os cântaros. A água vem de uma mina no subsolo.

Normalmente havia sempre água, mas quando havia muita procura e o tempo era mais seco, a Câmara ia abastecer o poço.

 

“Em 14 de Setembro (1841) não tendo Bartolomeu Testa, como se comprometera, mandado fazer uma caixa de pedra de cantaria com sua bica na fonte da Póvoa, a fim de que se o povo pudesse servir dela limpa e capaz de beber, e achando-se a fonte em mau estado, a Câmara resolveu remeter o caso para o Juízo Contencioso (Rosa, Anais do Município de Tomar 1840-1869, 1974)”

 

Figura 7 – Poço do Povo na Póvoa Fonte: do Autor Ago13


Figura 8 - Poço do Povo na Póvoa Fonte: Facebook – Fernanda Figueira – carnaval de 1974

                                             

Figura 9 - Poço do Povo na Póvoa Fonte: Facebook – Fernanda Figueira – Início anos 60? – sem tampa e com as marcas da roda para retirar água a baldes.

5 - Fonte do Poço ( construída após 1950)

Coordenadas: N 39˚41.439’ W 008˚24.923’ 39.690631777092534, -8.415350028475125
Localização/Descrição: Situada na Rua do Poço em Vale do Poço. Nesta fonte para se extrair a água, é necessário rodar a roda de ferro, a fim de retirar água do poço que fica por baixo. Na lateral e ao fundo junto ao chão tem um tanque para os animais poderem beber. Não se encontra em funcionamento. Foi recuperada em 2024.

 

                                                   

Figura 10 - Fonte do Vale do Poço Fonte: Fotografia da autora Out26

Figura 11 - Fonte do Vale do Poço Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Ago13

Figura 12 - Fonte do Vale do Poço a primeira? Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Mai19

6 - Fonte dos Vales (1 de abril de 1956)

Coordenadas: N 39˚41.196’ W 008˚24.406’ 39.6866407382029, -8.406805990596922
Localização/Descrição: Localizada na M526, junto ao posto de combustível dos Vales. A fonte foi mandada construir pela então Junta Freguesia de Casais entre 1955 e 1956, conforme descrição inscrita na placa de mármore afixada ao espaldar da fonte. É uma fonte de uma bica com árvores e bancos na sua lateral.

Figura 13 - Fonte dos Vales Fonte: Fotografia da autora Out26

7 - Nascente do Cairrão

Coordenadas: N 39˚39.414’ W 008˚23.918’ 39.656923824839325, -8.398631096094755
Localização/descrição: Pequena nascente situada no Cairrão, junto ao desaguar da ribeira da Soianda Velha que por sua vez desagua na ribeira da Póvoa/Fervença/Milheira, que se saiba nunca secou, diminui o caudal no verão ou altura de muito calor.

                 

Figura 14 - Nascente do Cairrão Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Ago13

8 - Nascente do Casal de Baixo
Coordenadas: N 39˚40.198’ W 008˚23.664’ 39.66983060736505, -8.394345745482935

Localização/descrição: Localizada por detrás do lagar, do lado direito do caminho que vai em direção à fonte do Brejo/Calvinos, anda-se uns 20 metros e encontramos uma pequena nascente que só quando chove muito é que ganha água, numa terra cheia de fetos, era aqui que os trabalhadores do Lagar vinham beber água.

Figura 15 - Fonte do Casal de Baixo Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Maio 16

9 - Nascente do Fetal

Coordenadas: 39.673584134673995, -8.416657866092653
Localização/Descrição: Nascente natural situada na encosta do Fetal, junto a um carreiro/trilho e à frente da fonte passa o ribeiro que vem do Vale do Poço.  Trata-se de uma fonte de Mergulho (ou Chafurdo), situa-se abaixo do nível do solo, protegida por duas grandes lajes de pedra. Para aceder à água, é necessário atar um cordel ao balde e retirar a água.

                                     

Figura 16 - Fonte de Mergulho no Fetal Fonte: Fotografia da autora Out26

10 - Nascente das Lapas

Coordenadas: N 39˚39.560’ W 008˚24.942’ 39.6593488686624, -8.415745634926543
Localização/Descrição: Nascente natural localizada na margem direita do Rio Nabão, a cerca de 100m da Capela da Lapas. No tempo de mais calor o seu caudal diminui. Segundo Luiz Oosterbeek esta nascente representa provavelmente aquando da sua descoberta o mais simples sistema de aproveitamento de águas, em que consiste num canal aberto a partir de nascentes que aproveitam a gravidade, pois localiza-se na zona dos Canteirões do Nabão (zona sepulcral do Nabão durante a Pré-História recente).

Figura 17 - Nascente das Lapas Fonte: Fotografia de Nuno Ferreira Ago13

11 - Poço da Ti Julia - Vale do Poço

Coordenadas: N 39˚41.242’ W 008˚24.925’
Localização/Descrição: Vale do Poço, perto da taberna do Zé Cocho, poço de nascente, lembro-me de a minha mãe (nasceu em 1956) levar um cântaro em cada mão e outro à cabeça para levar para os meus avós que moravam na Enxofreira.

Figura 18 - Poço da Ti Júlia Fonte: Fotografia da autora Nov14

12 - Poço do Espargal - Enxofreira

Coordenadas: 39.680058228595676, -8.420748889767115 (o poço com entulho) e  39.67979171427135, -8.420748889767115 (o poço que tem a pedra de apoio)
Localização/Descrição: Os poços do Espargal localizam-se no caminho que liga Enxofreira a Vale das Colmeias,  em direção a Porto Cavaleiros. Entrando nesse caminho, percorrendo 80 passos normais, corta-se à esquerda ; a cerca de 40 metros encontra-se um poço atulhado de lixo, que funcionou como segundo poço de reforço ao primeiro, mas nunca vedou. O poço primitivo que vedava, encontra-se totalmente cheio de terra, a 10 metros do primeiro na direção da Pedreira, tem uma pedra com uns 30 cm à vista e que servia de apoio. Olhando com atenção consegue-se ver a parede do mesmo.

"Na sessão de 14 de Janeiro de 1885 foi lido um requerimento de diversos habitantes dos lugares da Enxofreira e Vale das Colmeias, Freguesia de Casais, pedindo à Câmara para mandar proceder às precisas obras num poço denominado "do Espargal", situado entre aqueles dois lugares, para o fim de terem água." 

Figura 19 - Poço do Espargal 1º Fonte: Fotografia da autora Out26

Figura 20 - Poço do Espargal 2º Fonte: Fotografia da autora Out26

 

13 - Poço do Povo (Fetal)


Coordenadas: N 39˚40.459’ W 008˚24.774’ 39.67432492928225, -8.412932189767421
Localização/Descrição: Poço de nascente, situa-se no Fetal de Cima. A água era retirada a balde, não tem qualquer proteção.

Figura 21 - Poço do povo - Fetal Fonte: Fotografia do autor Out14

14 – Fonte do Caldeirão (anterior a 1900)

Coordenadas: 39.644918001158416, -8.410027757861942
Localização/Descrição: Nascente localizada junto ao rio, com duas bicas.

“Na sessão de 1900 foi deliberado proceder-se à reparação da fonte público do sítio do caldeirão, limite de Pedreira.”

Figura 22 - Fonte do Caldeirão Fonte: Fotografia Nuno Ferreira 2021

15 – Fonte em S. Simão (1932)

Coordenadas: 39.63864186604786, -8.43850917580916
Localização/Descrição: Localiza-se em S. Simão na Rua da fonte. Fonte com uma torneira, do lado de cima está um lavadouro. Foi mandada construir em 1932 pelo Sr. Gil de Sousa, natural de S. Simão.

Figura 23 - Fonte de S. Simão Fonte: Fotografia da autora Out26

16 – Fonte em S. Simão (22-08-1981)

Coordenadas: 39.64098145547035, -8.440274394353866
Localização/Descrição: Localizada no Largo Gil de Sousa perto da Capela. Tem uma torneira e dois banquinhos na lateral, mandada construir pela Freguesia da Pedreira com a colaboração da Câmara Municipal de Tomar e da população de S. Simão.

 


Figura 24 - Fonte de S. Simão Fonte: Fotografia da autora Out26

17 – Fonte em S. Simão (22-08-1981)


Coordenadas: 39.64098145547035, -8.440274394353866
Localização/Descrição: Localizada no início da Rua da Capela, junto à paragem do autocarro. Tem uma torneira e dois banquinhos na lateral, tendo sido mandada construir pela Freguesia da Pedreira com a colaboração da Câmara Municipal de Tomar e da população de S. Simão.

Figura 25 - Fonte de S. Simão Fonte: Fotografia da autora Out26

18 – Fonte da Romã

Coordenadas: 39.65096799350855, -8.413966653610416
Localização/Descrição: Localiza-se no caminho entre o Cadaval e a Pedreira do lado esquerdo. A fonte tem uma bica com o respetivo poço na zona inferior.

Figura 26 - Fonte da Romã (frente) Fonte: Fotografia Nuno Ferreira set20

Figura 27 - Fonte da Romã (trás) Fonte: Fotografia Nuno Ferreira set20

19 – Fonte de Paio Nunes (anterior a 1836)

Coordenadas: 39.63227782063137, -8.414216949097593
Localização/Descrição: Localiza-se na rua Padre cruz na direção do alto da Pedreira para a Escola, há um caminho do lado direito, cerca de 2 km depois em direção ao vale encontramos a nascente que “alimenta” a ribeira, normalmente só brota quando chove bastante.

“O Diário do Governo nº 187 de 9 de Agosto publicou a Lista nº108, contendo bens pertencentes ao Convento de Cristo, para irem à praça em 20 de Setembro (1836):

Casal de Pai Nunes, na fonte do mesmo. Freguesia de S. Miguel. Consta de 1 horta de regadio, matos e azinheiras. Parte tudo de nascente com a Quinta da Granja e poente com a fazenda de José de Abreu Bacelar. Vai à praça em 9$000 (Anais de Tomar).”

Figura 28- Fonte de Paio Nunes Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Mar19

20 – Fonte na Pedreira 1  (26-06-1949)

Coordenadas: 39.64060197920695, -8.40662397081568

Localização/Descrição: Localiza-se no Largo da Pena, trata-se de uma fonte simples, construída e inaugurada pela Junta de Freguesia a 26 de junho de 1949. Fonte encastrada no muro, tem uma torneira e com apoios em ambos os lados, forrada a pedra mármore claro.  

Figura 29 - Fonte na Pedreira1 Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Mar23

21 – Fonte na Pedreira 2 (20-08-1944)

Coordenadas: 39.64183232130678, -8.409951735130717
Localização/Descrição: Localiza-se no Largo Dr. Cândido N. Madureira, em frente à Igreja, apresentando alguma monumentalidade. Foi mandada construir entre 1942 e 1944 pela Junta de Freguesia com a comparticipação da Câmara Municipal de Tomar e da Companhia do Papel do Prado (descrição na pedra de mármore fixada na fonte), Possuí uma torneira, encastrada no muro, com apoios em ambos os lados, ladeada por duas colunas rematadas por esferas de pedra. Este conjunto é contornado por pedra de cantaria e revestida a mármore azul.

Figura 30 - Fonte na Pedreira2 Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Mar23

22 – Fonte na Pedreira 3 (05-05-1949)

Coordenadas: 39.64060197920695, -8.40662397081568

Localização/Descrição: Localiza-se na Rua Dr. Luiz Brites de Guimarães. Esta fonte simples, inaugurada a 05 de maio de 1949.  Encastrada no muro, tem uma torneira, com apoios em ambos os lados e forrada a pedra mármore claro.

Figura 31 - Fonte na Pedreira3 Fonte: Fotografia Nuno Ferreira Mar23

23 – Fonte do Prado (05-05-1958)

Coordenadas: 39.642774654260485, -8.400702447207486
Localização/Descrição: Localiza-se no Prado em frente à Prado Karton. Fonte com uma torneira, construída pela Junta de Freguesia da Pedreira.

Figura 32 - Fonte do Prado Fonte: Fotografia da autora Out26

24 – Três Poços Públicos no Carvalhal

Coordenadas: 39.6808216415114, -8.391849206288517
Localização/Descrição: Localizados no Carvalhal, na Rua da Laranjeira. Entre os  números 14 e 15 está um caminho de terra batida que vai em direção aos três poços de água públicos.

                                      

Figura 33 - Poço Público Carvalhal Fonte: Fotografia da autora Out26

                                      

Figura 34 - Poço Público Carvalhal Fonte: Fotografia da autora Out26

Outras fontes referenciadas e que atualmente já não existem:

 Fonte do Rio (Sobreirinho – anterior a 1874)

 Na sessão de 7 de agosto de 1874: “Os habitantes do lugar da Póvoa, expuseram à Câmara que existe, desde tempos imemoriais, no sítio do Sobreirinho, uma fonte que se denomina “Fonte do Rio”, da qual sempre se têm abastecido os habitantes da Póvoa. Porém, agora Silvério Costa Gonçalves, administrador da Fábrica de Papel do Sobreirinho, alteou o Açude da Fábrica a tal ponto, que as águas represadas no leito do Nabão inundaram completamente a nascente, não podendo, por isso, utilizarem a água da dita fonte.”

 Fontes consultadas:

 Informações orais cedidas pelo Sr. Hilário Guia e pela D. Fernanda Figueira.

Estrela, G. F. (2017). Fontes e Chafarizes. O abastecimento de água nos espaços públicos na Baixa Idade Média portuguesa.

Oosterbeek, L. (1997). Tomar, água democracia. Tomar: Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal de Tomar.

 Rosa, A. (1965). História de Tomar I. Tomar: Gabinete de Estudos Tomarenses.

file:///C:/Users/Utilizador/Downloads/177-Texto%20Artigo-224-1-10-20240119.pdf

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

As Ferrarias da União de Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira


Enquadramento Histórico:

As ferrarias na região de Além da Ribeira e Pedreira surgiram ainda antes de 1504: "Muito antes de incorporada a Comenda do Prado no Convento, (1536), aquando da Visitação de 1504, se encontrou ali erigido, por ordem Régia, um Engenho de Balas, junto dos Moinhos, o qual andava com água da levada deles, sem que se satisfizesse ao Convento os terrenos do dito novo Engenho[i].” 

Por esta altura, Portugal vivia o seu período áureo dos Descobrimentos, destacando-se a Viagem de Vasco da Gama à Índia em 1498 e a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500, isto durante o reinado de D. Manuel I, sendo o fabrico de armamento necessário para as conquistas e defesa dos novos territórios.

Os problemas de sucessão criados pelo desaparecimento de D. Sebastião, levam a que em 1581, nas Cortes de Tomar seja declarado Filipe II rei de Espanha, Filipe I rei de Portugal.

 "Em 1618 foi criado o Regimento das Ferrarias de Tomar (S. Lourenço e Prado) e Ribeira de Alge, Maxuca, que no tempo de Francisco Dafour (1651-1680) chegaram a ter grande importância, fundindo não só munições, mas também peças de artilharia dos calibres 4’’ e 8’’ (respetivamente 10,16cm e 20,32 cm)[ii]."

“A revolução de 1 de dezembro de 1640 e a restauração da monarquia portuguesa levariam forçosamente à guerra com a Espanha. Seguiu-se um período de atividade febril para preparar o país para esta contingência. Ainda em 1640 foram criados o Conselho de Guerra e a Tenência-Geral de Artilharia; esta tinha por funções o alistamento, instrução e jurisdição sobre os “artilheiros de nómina” destinados ao serviço nas praças, fortalezas e navios; e a aquisição, conservação e distribuição de todo o material de guerra[iii].”

A necessidade de produção de balas, canhões e armamento foi aumentando e diminuindo de acordo com os diferentes conflitos que surgiram, entre eles as invasões francesas (1807, 1809 e 1810) onde a região de Tomar também foi envolvida, levando a que apenas em 1836 Henrique de Roure Pietra fundasse a Fábrica de Papel do Prado, apesar de o Marquês de Pombal ter autorizado a mesma por alvará em 1772, terminando desta forma a existência de Ferrarias na freguesia, em Tomar e em Figueiró dos Vinhos[iv].

Amorim Rosa no livro A História de Tomar II também refere:

“E quando em 1812 Francisco de Roure e Luis de Sousa Melo e Manga ali desejarem fazer uma Fábrica de Papel, dizem no seu relatório: «onde em tempos remotos houve uma Fundição de Ferro por conta do Estado, da qual hoje só existem uns restos de paredes, a maior parte do coberto de figueiras e mato em total abandono»  

“As arenitos do veio Aveiro-Tomar, onde «mergulham» nos terrenos sedimentares mais modernos, dão lugar àquele saibro vermelho, que os nossos pedreiros usam na argamassa em vez da areia, costume tão peculiar em Tomar, e que ricas em ferro, alimentaram as Ferrarias do Prado e de S.Lourenço[v].”

As grandes ferrarias dependiam dos recursos naturais locais como a água, a madeira e o minério (este último também vinha de outras zonas do país , o nosso provavelmente da Ribeira Velha de Figueiró dos Vinhos). A corrente acionava rodas hidráulicas que moviam os gigantescos maços (martelos mecânicos) e os foles dos fornos[vi].

 

Na freguesia tivemos então:

1. Ferrarias do Prado 

Fundadas no século XVI, localizadas junto ao rio Nabão e a uma zona de área florestal considerável.  Terminaram a sua atividade no início do Séc. XIX.

Coordenadas Ferrarias do Prado: 39.64299865792086, -8.400376616871773

                                            

Figura 1 - Fábrica do Papel do Prado - Inícios Séc. XX[vii]?

2. Ferrarias do Sobreirinho

Não se sabe de quando é a construção deste edifício que se localiza junto ao cruzamento entre o Sobreirinho e Lapas, onde dizem ter-se fabricado granadas e morou a Rainha (Maria I Reinou de 1777 a 1816?*) (Guia, 2014). A associação popular poderá prender-se com o facto de o edifício ser propriedade da Coroa ou estar ligado às inspeções que a monarca ordenou na época[viii].

Coordenadas Ferrarias do Sobreirinho: 39.65517963740395, -8.407958413886004

Figura 2 - Ferrarias Sobreirinho – CH – set2014

 



[i] Rosa, A. (1967). Anais de Tomar 1454-1580. Tomar: Gabinete dos Estudos Tomarenses.

 

[ii] Rosa, A. (1965). A História de Tomar II. Tomar: Gabinete de Estudos Tomarenses.

 

[iv] Barbosa, R. F., & Genin, S. M. (2019). As Fábricas do Vale do Nabão: Estudo Comparativos e sua relação com a água. 3º Congresso Internacional de História da Construção Luso.Brasileira.

 

[v] Rosa, A. (1965). A História de Tomar II. Tomar: Gabinete de Estudos Tomarenses (pág. 9)

[vii] https://mediotejo.net/tomar-fabrica-de-papel-do-prado-ex-trabalhadores-pedem-para-nao-serem-esquecidos/

 

[viii] José Bonifácio de Andrade e Silva, Professor de Metalurgia na Universidade de Coimbra, nas viagens científicas pela Europa que fizera a mando da Rainha D. Maria I, tinha adquirido vastos conhecimentos e experiência nas áreas das Ciências e da Indústria metalúrgica, bem como da Administração Pública, reunindo condições para o cargo, nomeava-o Intendente Geral das Minas e Metais do Reino[viii].