Património Cultural - Arquitetura de Produção e Industrial

Arquitetura de Produção

A arquitetura de produção existente na freguesia é dividida em Azenhas (roda vertical)/ Moinhos (roda horizontal) de água para a produção de farinha de milho e trigo e Lagares de Azeite, sendo o mais antigo o Lagar de Casal de Baixo. Existe também referência de uma casa de fabrico de granadas antes da existência das Ferrarias do Prado.
Levada, Nora, Picota ou Cegonha e Roda são mecanismos que o homem construiu para a rega da horta.
Fornos de cal também existiram na nossa freguesia, locais onde era transformado o calcário e ainda forno de telha e tijolo.
Mecanismos que fazem parte da vida rural, fundamentais para a economia e alimentação local.
Todos estes elementos que fazem parte da arquitetura de produção, estão na sua maioria no estado de abandono/ruína, onde ainda é possível visualizar as suas caraterísticas principais, mas tendo sempre em atenção que se encontram em propriedade privada. O seu acesso, é feito por pequenos caminhos (carreiros) normalmente bem visíveis sem prejudicar o cultivo que se encontra à sua volta.

1 . Arieiros

1.1. - Arieiro - Luís Matos Viegas

Coordenadas: N 39˚38 W 008˚24
Localização/Descrição: Junto ao rio Nabão, Casal das Várzeas. Um existiu entre 1950 e 1970, o outro entre 1955 e 1965. A localização não é exata, pois encontram em terreno privado, logo o o seu acesso é limitado, a sua visualização poderá ser feita dentro do rio.

1.2. - Arieiro - Paulino da Póvoa

Coordenadas: N 39˚38. 970' W 008˚24.729'
Localização/Descrição: Junto ao rio Nabão, funcionou entre 1966 e fins de 1975. No início era tudo manual, depois é que se fez a construção atual, onde tinha areia de 4 qualidades. O seu acesso pode ser limitado, pede-se que respeite o campo cultivado.
Novembro 2014

Novembro 2014 Boca de saída da areia para o transporte

Novembro 2014 - Acesso do transporte

1.3. - Arieiro - Prado

Coordenadas: N 39˚38. 633' W 008˚23.975'
Localização/Descrição: Junto ao rio Nabão, perto da ponte do Prado, funcionou entre 1955 e 1980. De fácil acesso, é só prestar atenção a pequenos pormenores.


2 - Azenhas 

2.1. - Azenha e Lagar do Curto

Coordenadas: N 39˚40.730’ W 008˚23.362’
Localização/Descrição: Azenha e Lagar do Séc. XVII, situa-se junto à ribeira da Fervença, perto do Carvalhal.
"Em 24 de Janeiro de 1660 foi dada sentença contra o rendeiro do Moinho do Curto, que é das Religiosas de Santa Iria" (Rosa, História de Tomar VOLII, 1982).









2.2. - Azenha - Porto de Cavaleiros

Coordenadas: N 39˚39.389’ W 008˚25.635’
Localização/Descrição: Porto de Cavaleiros junto ao rio Nabão, existem apenas alguns vestígios, o acesso terá de ser feito pelo terreno, atenção ao seu cultivo.


3 - Ferrarias

3.1. -Ferrarias - Sobreirinho

Coordenadas: N 39º 41'     W 008º25'
Localização/Descrição: No cruzamento entre sobreirinho e Lapas, edifício onde dizem ter-se fabricado granadas e morou a Rainha (?), que depois passou a funcionar no Prado.
"As arenitos do veio Aveiro - Tomar, onde "mergulham" nos terrenos sedimentares mais modernos, dão lugar àquele saibro vermelho, que os nossos pedreiros usam na argamassa em vez da areia, costume tão peculiar em Tomar e, que ricas, em ferro, alimentaram as ferrarias do Prado e de São Lourenço." retirado do livro de Amorim Rosa - História de Tomar VOL I. Esta citação poderá explicar a  sua existência, pois nos nossos terrenos existe este saibro (?)


3.2. - Ferreiro - Carvalhal

Coordenadas: N 39º 41.528'   W 008º25.454'
Localização/Descrição: No Carvalhal, apenas fica o registo do local, que agora nada tem a ver.

3.3. - Ferreiros - Fetal - 2

Coordenadas: N 39º 41   W 008º25.
Localização/Descrição: Rua dos Ferreiros - Fetal, existiam dois, o que se encontrava mais a Norte - Manuel Calhau - passou a trabalhar e a viver na Póvoa.

3.4. - Ferreiro - Póvoa - 2

Coordenadas: N 39º 41   W 008º25
Localização/Descrição: Póvoa, um era o Sr. Manuel Calhau do Fetal e o outro ferreiro trabalhava na rua Direita nº 16.

4 - Fornos de Cal 

No território da união de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira conhecem-se 6 fornos de cal, todos eles em ruínas, 3 deles já praticamente são nulos os vestígios, apenas o conhecimento passado pelo Sr. Hilário e a D. Rosalina permite a lembrança dos mesmos (os dois fornos do Carqueijal e um do Porto de Compadre). 

Surgiram a partir de meados do Séc. XVIII[i] trabalhando até meados do Séc.  XX[ii].

        A cal que saía desses fornos, ”Misturada com saibro, constituía uma argamassa que fazia de elemento de ligação nas paredes em construção, adicionando-lhe água, servia para caiar paredes, dando-lhes uma cor branca e limpa; em agricultura, atuava como regulador do ph dos solos e era ainda usada para desinfetar os solos, como assegura António Leal: «quando morria um porco, punha-se uma pazada ou duas de cal para cima, antes de lhe pôr terra. Dizem que fazia bem e eu fazia-o..» (Fundação Dias Ferreira, 2017)”.

          Os fornos da nossa freguesia situam-se em locais onde existia abundância de pedra calcária e lenha (das estevas e outro mato existente), junto a caminhos. Os fornos são construídos em pedra, redondos, afunilados em cima e com uma abertura junto ao solo.

        Os fornos estão junto a encostas, envolvidos pela terra permitia manter a temperatura e é graças a isso que ainda se reconhece algumas paredes, tinham uma altura aproximada de 6 metros…

            Ao redor dos fornos trabalho não faltava, pois manter um forno com uma dimensão considerável era necessária muita matéria-prima a fim de o forno estar em atividade entre 15 dias a três semanas.

            A lenha trazida normalmente pelas mulheres (A minha avó Maria Emília foi uma das mulheres que carregou lenha para o forno de cal no Lameirão), era colocada também pela entrada, no espaço já deixado para o efeito e conforme se ia queimando ia se colocando mais, até a pedra passar a estar transformada em cal.


Profissões relacionadas com os Fornos de Cal:

 

- Forneiros ou partidores de pedra;

- Roçadores do mato;

- Empilhadores;

- Raparigas que transportavam a lenha à cabeça.


Expressões relacionadas com a Cal:


"Branco como a Cal" - empalidecer


"De pedra e Cal" - resistente, inabalável, muito firme



[i]  “A 28 de Outubro de 1749, se deu licença a Manuel Gonçalves e José Nunes, do lugar da Pedreira, para vender cal num forno deste termo.

No dia 11 de Junho de 1751 o Senado da Câmara deu licença a José dos Santos, do lugar de S. Simão, para abrir um forno de cal, grande, e vender um moio dela a 550 réis, e a fanga a 60 réis.

A 22 de Agosto reuniu a Câmara Municipal, que deu licença a José Nunes, morador no lugar da Pedreira, freguesia de S. Miguel, para vender cada moio de cal a 550 réis, e a fanga a 60 réis, e no mais guardará a forma de postura. (Rosa, 1969)

Na Câmara de 8 de Agosto de 1789, taxaram assim os preços da cal:

Moio ( 15 fangas ou 60 alqueires)…….600 réis

Fanga …. 50 réis (Rosa, Anais do Município de Tomar 1771-1800, 1970)

 

[ii] “Não tem ideia do ano de construção dos fornos mas sabe que, quando nasceu, essa atividade já era praticada há muito e que, «quando tinha cerca de doze anos, foi feita a última fornada de cal no local» de Cumes. Testemunho de António Gonçalves Leal nascido a 28 de agosto de 1934 no lugar de Cumes, freguesia dos Chãos  (Fundação Dias Ferreira, 2017)


4.1. - Forno de Cal - Carqueijal

Coordenadas: N 39º 39.870'   W 008º25.434'
Localização/Descrição: Contra-Encosta do lado direito da ribeira do Fetal, Forno de Cal em ruínas.

4.2. - Forno de Cal - Carqueijal

Coordenadas: N 39º 39.683'   W 008º25.732'
Localização/Descrição: Encosta esquerda do rio Nabão, Forno de Cal em ruínas, funcionou até 1935.

4.3. - Forno de Cal - Porto de Compadre da D. Rosalina Henriques

Coordenadas: N 39º 40.338'   W 008º25.508'
Localização/Descrição: Do lado direito do caminho para Porto Compadre, Forno de Cal em ruínas onde ainda se vê a porta do forno, funcionou até 1935.

4.4. - Forno de Cal - Lameirão

Coordenadas: 39.692520141494626, -8.42418636226363
Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, junto à ribeira  , Forno de Cal em ruínas. Foi para este forno que a minha avó carregou lenha.

4.5. - Forno de Cal - Porto de Cavaleiros - 1

Coordenadas: 39.65276078696696, -8.434319517134067
Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, sentido Porto Cavaleiros/São Simão , Forno de Cal em ruínas. 
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada 
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026  - Cimo do Forno tirado do exterior


Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão -27Mar2026 - Zona envolvente - Extração de pedra

4.6. - Forno de Cal - Porto de Cavaleiros - 2

Coordenadas: 39.64639788583878, -8.439895810155639
Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, sentido Porto Cavaleiros/São Simão , Forno de Cal em ruínas. 

Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026  - Entrada

Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026  - Cimo do Forno tirado do interior


 - Forno de Telha e Tijolo - Porto de Compadre

Coordenadas: N 39º 40.372'   W 008º25.784'
Localização/Descrição: Junto ao caminho que vai dar ao Porto Compadre, as ruínas estão cobertas de vegetação, nos anos 30 já há referência da sua existência.

5 - Lagares de azeite

5.1 - Lagares do lado de Além da Ribeira

5.1.1    - Lagar do Casal Velho e Moinho

O lagar localiza-se junto à ribeira da Fervença no Casal Velho ou Casal de Baixo, movido a água onde o rodízio está no cabouco e o piso de cima fica a um nível ligeiramente superior ao do leito da ribeira. O seu dono em 1971 era o Sr. Manuel Pereira - Pianã. Em estado avançado de ruína, pode-se ainda observar as tulhas em cimento, as duas mós de pedra dentro de tanque de folha em forma de alguidar para triturar a azeitona, duas prensas hidráulicas para enceirar a massa da azeitona (no chão em 2013 ainda se encontravam ceras fig. 7)…

Coordenadas 39.66977364738493, -8.394874984707387

 

Figura 3 - Lagar Casal Velho - Nuno Ferreira Ago13

    Figura 4 - Lagar Casal Velho - Tulha - Nuno Ferreira Ago13

Figura 5 - Lagar Casal Velho - Moinho - Nuno Ferreira Ago13

 Figura 6 - Lagar Casal Velho – Prensas Hidráulicas - Nuno Ferreira Jun24


                                             Figura 7 - Lagar Casal Velho - Cera - Nuno Ferreira Ago13

5.1.2 - Lagar e azenha do Curto

Coordenadas: N 39˚39.298’ W 008˚24.008’

Lagar e azenha (a roda motriz encontrava-se em posição vertical, ainda há o vestígio da água a cair do alto – fig.9) de pelo menos de 1660, movido a água, localiza-se junto à ribeira da Fervença, talvez inicialmente apenas azenha para produção de farinha, mas também funcionou como lagar de azeite.

Este lagar era de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 11).

Coordenadas: 39.678744758021644, -8.389194066001734

Figura 8 - Retirado do livro "Coisas da Minha Terra"


Figura 9 - Lagar e Azenha do Curto - Nuno Ferreira12

Figura 10 - Lagar e Azenha do Curto - local da roda - Cristina Henriques Dez14

           Figura 11 - Lagar do Curto - As mós e o peso - Cristina Henriques Dez14

5.1.3 - Lagar da Fervença

Lagar movido a água em ruínas junto à ponte e ribeira da Fervença, foi do António da Silva da Póvoa, trabalhou até 1942.

Coordenadas: 39.66496917011426, -8.400242084961551

                                   Figura 12 - Lagar da Fervença - Cristina Henriques Dez14

5.1.4 - Lagar do Pereiro (Enxofreira)

Lagar no Beco do Lagar no Pereiro, inicialmente movido a bois e depois a fogo. Começou antes de 1900,  foi do bisavô do Carlos (Lobo) depois passou para o avô e mais tarde para um tio (os Mendes), só depois passou para cooperativa, esteve uns anos parado e depois reabriu em nome do atual dono e do pai (2014) durante mais um ano ou dois, tendo fechado por completo em 2000/2001.

Neste lagar ainda se visualiza as tulhas de cimento (fig. 15) que iam guardando o fruto que será esmagado pelas galgas. O número de tulhas varia consoante a capacidade do lagar. Por cada prensa ou vara há normalmente dez tulhas em cada lagar.

Os capachos que se encontram por cima das tulhas eram fabricados artesanalmente (na Escola Primária da Póvoa existia um à frente da porta para limparmos os sapatos) e, eram nestes capachos que cheios de massa levavam com água quente sendo depois empilhados sobre o estrado da prensa, a que se dá o nome de algués, saindo daqui o bagaço (fig. 14).

Coordenadas: 39.68197019189655, -8.41436123318038

Figura 13 - Lagar do Pereiro - Cristina Henriques Nov14

Figura 14 - Lagar do Pereiro - Cristina Henriques Nov14

Figura 15 - Lagar do Pereiro - Tulhas e Capachos - Cristina Henriques Nov14

5.1.5 - Lagar da Póvoa I (Pedregulho)

Lagar junto à estrada Principal da Póvoa (antigamente designado Pedregulho), perto da Casa do Zé Fagulha, movido a fogo, onde os meus pais faziam o azeite. Iniciou em 1943 e fechou pelos anos 90.

Coordenadas: 39.66491342217262, -8.40443169540719


                                        Figura 16 - Lagar da Póvoa - Cristina Henriques Set13

 

Figura 17 - Lagar da Póvoa - Cristina Henriques Set13 

5.1.6 - Lagar Velho da Póvoa II

Lagar que se no Canto do Lagar Velho na Póvoa, no início as mulas puxavam as galgas, está em ruínas, pela área que ocupa tinha uma dimensão considerável para a época.

Este lagar era também de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 19).

Coordenadas: 39.65558275193413, -8.40507274337684

 

Figura 18 - Lagar Velho Póvoa - Cristina Henriques Nov14

 

Figura 19 - Lagar Velho da Póvoa - Cristina Henriques Nov14

5.1.7 - Lagar da Póvoa III

Lagar que já não existe, situava-se onde é agora a Casa Mortuária da Póvoa, pertencia ao marido – Chico, da Maria Duarte da Taberna à esquina.

Coordenadas: 39.65823263549142, -8.404256010735796

5.1.8 - Lagar dos Vales

Lagar de Edmundo de Freitas, localiza-se na Rua Principal nos Vales, lagar que foi modernizado. Aqui a moagem já é feita através de martelos de aço inoxidável em substituição das antigas mós de pedra.

Coordenadas: 39.686089970518196, -8.40643029077127 

Figura 20 - Lagar dos Vales - Nuno Ferreira Nov12

Figura 21 - Lagar dos Vales - Nuno Ferreira Nov12


5.2      - Lagares do lado da Pedreira

5.2.1     - Lagar de António Aparício Cardoso (genro do José Neto) e outros - Pedreira

O primeiro lagar  que se conhece da Pedreira (fonte: Adelino Honrado) era de José Neto e depois do seu genro António Aparício Cardoso na rua do Canto, movido com motores a gasóleo, entretanto como este era pequeno passou a funcionar mais abaixo, com dois pisos, junto à Rua Carlos Augusto Coelho quase em frente ao lagar de António Pereira da Costa, que entretanto deixou de ser movido a gasóleo para passar a ser a eletricidade. Ambos os lagares foram substituídos por habitações. No entanto, ainda é possível distinguir alguns vestígios do primeiro lagar.  A localização do segundo lagar é facilitada com o facto de o caminho a seu lado chamar-se “Az do Lagar”.

Coordenadas do primeiro: 39.640839748432875, -8.40816970321841

Coordenadas do segundo: 39.64043366894921, -8.407194370711881

Figura 22 - 1º Lagar de José Neto - Fernando Gonçalves Abr26

5.2.2     - Lagar de António Pereira da Costa - Pedreira

Lagar movido com animais, situava-se junto à Rua Carlos Augusto Coelho quase em frente ao lagar de António Aparício Cardoso (genro do José Neto) e outros (fonte: Adelino Honrado). O lagar também foi substituído por habitação.

Coordenadas:  39.640559878260966, -8.407489763241392

5.2.3     - Lagar de Manuel da Fonseca Balas* – Quinta da Granja

Lagar movido a água, situa-se em frente à Quinta da Granja do Séc. XVI, o ribeiro de Paio Nunes era a força motriz deste lagar entrando por baixo e acionando o rodízio, mas pela foto do moinho/galgas parece ter sido também movido a animais? (quando o caudal da ribeira era pouco?), em 1990 já estava abandonado (Salema, 1993).

Este lagar era também de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 25). No chão em 1997 ainda se podiam distinguir as tarefas ou fontes que recebiam a água ruça da mistura com o azeite (fig. 26).

A minha avó que hoje faz 94 anos (12 de abril de 2026), levantava-se de madrugada mais a irmã Lídia para irem apanhar azeitona na Quinta da Granja e lá ficavam durante a semana.

Coordenadas: 39.628056262255996, -8.401985520761649

*Existem dúvidas se este senhor era o dono do lagar da Quinta da Granja, pois aparece referenciado (Guimarães, 1979)  na Arrascada e não na Estrada do Prado mas...

Figura 23 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997

Figura 24 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997

Figura 25 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997


                                         Figura 26 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997


5.2.4     - Lagar de João Azevedo e outros – S. Simão

Lagar referenciado no livro A Oliveira e o Azeite na Região de Tomar – Usos e Costumes de Manuel da Silva Guimarães (Pág. 139) ), mas que não sei qual a sua localização.

6 - Levadas

6.1. -Levada de água

Localização/Descrição: o seu percurso, inicia-se pouco depois da Azenha do Curto, passa pelo “Vale da Marinha”, Casal Velho, Fervença, Póvoa e termina na Milheira. A levada é um canal de circulação de água, está construída em pedra calcária da região embora algumas partes já se encontrem restauradas com cimento. As levadas tinham como principal função encaminhar a água para as terras hortícolas e força motriz dos moinhos de água. Há dias estipulados para cada zona, embora hoje em dia são poucos os que cultivam. Quando a água não era necessária e esta não se encontrava barrada no açude, proporciona umas pequenas cascatas como se vê nas imagens. Em alguns locais da levada podem-se ver lagostins. As imagens que seguem são uma pequena amostra da levada, também se pode observar como eram feitos os acessos às hortas, quando estas se encontram no piso superior. 


Levada com a passagem e escada de acesso aos terrenos cimeiros




Acesso fechado à levada de água que segue a seguir ao açude da Póvoa

21 - Moinhos de água - Casal das Várzeas

Coordenadas: N 39˚38.820’ W 008˚24.470’
Localização/Descrição: Casal das Várzeas junto ao rio Nabão, pertencia ao Vital. Existe outro mais a sul, mas que até à data não há certeza da sua localização, trabalhou até cerca de 1960, o da fotografia parou antes. Estão em propriedade privada.


7 - Moinhos

7.1. -*Moinhos de água - Fervença

Coordenadas: N 39˚40.098’ W 008˚23.769’
Localização/Descrição: na Fervença, segue-se a rua dos Moinhos até à ribeira. Um moinho era do Manuel Silva (pai de António Silva – avô do Amorim, Ermelinda e Firmo), o outro moinho era do Preto (alcunha).Moinhos de água de roda horizontal, recebiam a sua força motriz da levada de água da ribeira. Moinhos de duas pedras, no Inverno moía milho, no Verão trigo.



7.2. - Moinhos de água - Milheira

Coordenadas: N 39˚41.’ W 008˚24.’
Localização/Descrição: Milheira, junto à ponte do lado direito sentido Póvoa Tomar. A estrutura exterior encontra-se recuperada.

7.3. - Moinhos de água - entre Porto de Compadre e Porto de Cavaleiros

Coordenadas: N 39˚40 W 008˚23
Localização/Descrição: Junto ao rio Nabão, ainda não foi localizado no terreno, Sr. Hilário sabe da sua existência.

7.4. - Moinhos de água - Porto Compadre

Coordenadas: N 39˚40.372’ W 008˚23.784’
Localização/Descrição: No Porto Compadre, junto ao rio Nabão. O moínho encontra-se em ruínas.

7.5. - Moinhos de água - Póvoa

Coordenadas: N 39˚41.243’ W 008˚24.684’
Localização/Descrição: Póvoa, junto à ribeira. A estrutura exterior encontra-se recuperada, mas sem vestígios de moinho.

7.6. - Moinhos de água - Prado (em atualização)

Coordenadas: N 39˚xx.xxx’ W 008˚xx.xxx’
Localização/Descrição: Prado, junto ao rio Nabão. 

8- Nora

8.1. - Nora

Localização/Descrição: Localiza-se na Póvoa perto da Ribeira da Milheira, fica ao lado do caminho entre o Cairrão e as Sepulturas escavadas na Rocha. Propriedade privada.
A nora possuí uma haste horizontal (cambeão do engenho) acoplada a um eixo vertical que por sua vez está ligado a um sistema de rodas dentadas. Este sistema faz circular um conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície. Os alcatruzes descem vazios, enchem-se no fundo do poço, regressam e quando atingem a posição mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz para horta ou para pequenos tanques de pedra. É um engenho de tração animal (burro ou mula com os olhos tapados de lado), o qual é preso à haste horizontal e em movimentos circulares vai retirando a água do poço. Vieram substituir as picotas ou cegonhas.


9 - Pedreiras

9.1. - Pedreiras

Coordenadas: N 39˚40.139’ W 008˚24.679’
Localização/Descrição: Situam-se um pouco por toda a freguesia, nomeadamente no Barreirão, Murinhal, Relvancha, Vale das Aroeiras e Vale Venteiro; são zonas onde a existência de cabocos ou barrocos permitia a sua extração, depois retirada em locais a 4 bois. a pedra saiu para a construção de levadas, escola do Fetal, barragem do Castelo de Bode, edifício da Caixa Geral de Depósitos em Tomar que era antigamente do lado direito da Igreja de São João Batista. A exploração começou pelo menos em 1935 pelo pessoal da Pedreira que vinha pelas Lapas e terminou nos anos 60, pois era mais rentável a pedra vinda de Fátima. Além da exploração também há referência de haver uma barraquita para acabamentos.


10 - Picota ou Cegonha

10.1. - Picota ou Cegonha 

Coordenadas: N 39˚ 41.243’ W 008˚ 24.684’
Localização/Descrição: Situa-se ao lado da Travessa da Lagoa no Vale do Poço. Em baixo encontra-se o desenho do mecanismo completo, esta imagem foi retirada do livro "À procura da tua História – Freguesia da Serra” de Ada Fernandes Brito, na Serra davam o nome de gaivota ou balança, aparelho de elevação de água, constituído por uma vara oscilante sobre uma forquilha, base de pedra os braços em madeira, onde se colocava numa ponta um balde e na extremidade oposta um contrapeso de pedra, era um movimento que dependia muito da força da pessoa que accionava a alavanca, daqui saia água para regar as hortas.




11 - Rodas Hidráulicas

11.1. - Roda Hidráulica

Coordenadas: N 39˚ 39.388’ W 008˚ 24.542’
Localização/ Descrição: Localiza-se no rio Nabão entre as Lapas e o Sobreirinho junto a terreno hortícola, o acesso terá de ser feito pela linha de água ou dentro do rio. Arquitetura agrícola, utilizada para elevar a água dos rios, o seu destino é a irrigação dos campos hortícolas. A força da corrente concentra-se numa única estreita saída, que movimentava a roda através das pás, feita por carpinteiros com madeira de pinheiro ou carvalho. Os alcatruzes presos aos arcos desta roda são de folha.




12 - Tanques

12.1. - Tanques

Localização/Descrição: em praticamente todas as habitações do início do séc. XX ao lado do poço (depósito de água – construído em pedra calcária, normalmente a baixo do nível do solo, para aproveitamento das águas da chuva), também ainda se encontram isolados em terrenos de cultivo, para assim as pessoas poderem regar as suas hortas ou dar de beber aos animais.



Arquitetura Industrial

A arquitetura industrial que existiu na nossa freguesia foi apenas a conhecida Fábrica de Papel do Sobreirinho que se situa junto à conhecida praia dos Tezos e uma pequena cerâmica.

Fábrica e Azenha do Sobreirinho

Coordenadas: N 39˚39.238’ W 008˚24.638’
Localização/Descrição: Junto ao rio Nabão. Segundo o livro  Nabão    refere "ter conhecimento de nele ter havido uma moenga particular, que ainda existia em 1845".
A sua existência é pelo menos desde Fevereiro de 1874, pois é nesta altura que aparece a primeira referência à mesma, empregava 54 operários, sendo 21 homens e 33 mulheres, a maioria do lugar da Póvoa. Seis anos depois, 25 de Abril de 1882, a Companhia do Papel do Prado comprou-a a António dos Santos Monteiro. Foi pouco depois fechada e retirada os seus maquinismos rudimentares. Parece que a Companhia do Papel do Prado a comprou apenas para evitar que ali se estabelecesse uma concorrente. Voltou ali a funcionar uma azenha (Rosa, História de Tomar VOLII, 1982).
Em 1874 e 1875, era seu administrador Silvério da Costa Gonçalves. Mas em 25 de Abril de 1876 pertencia a João Delgado da Silva. livro Nabão





Cerâmica Vales Silva & Silva

Coordenadas: N 39˚40.917’ W 008˚24.381’
Localização/Descrição: Junto ao Lagar dos Vales, antiga cerâmica de telha, fechou em 1955.
Novembro 2014 - Boca do Forno

Novembro 2014 - Telha da cerâmica

Novembro 2014 - Parede virada a Este



1 comentário:

  1. Por foavor,
    Quando fala sobre a fábrica do Sobreirinho faz referência a uma bibliografia
    "Segundo o livro Nabão refere "ter conhecimento de nele ter havido uma moenga particular, que ainda existia em 1845"!".
    Poderia me passar a referência deste livro Nabão
    Obrigada

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