Património Cultural - Arquitetura de Produção e Industrial

Arquitetura de Produção

A arquitetura de produção existente na freguesia era constituída por: 1 - Areeiros, 2 - Azenhas e Moinhos de Água, 3 - Cerâmica, 4 - Lagares de Azeite, 5 - Ferrarias, 6 - Fornos de Cal de Telha e de Tijolo, 7 - Pedreiras, esta classificação é utilizada no PDM de Tomar (Património Cultural), a este património vou fazer referência a outras "profissões" existentes, como: carpinteiro, ferreiros, sapateiro, tecedeira.
Nesta página também faço referência a diversas construções de apoio à agricultura, nomeadamente:  Levada, Nora, Picota ou Cegonha e Roda.
Mecanismos que fazem parte da vida rural, fundamentais para a economia e alimentação local.
Todos estes elementos que fazem parte da arquitetura de produção da freguesia, estão na sua maioria no estado de abandono/ruína, onde ainda é possível visualizar as suas caraterísticas principais.
Todo este património é propriedade privada. 
De seguida identifico o património subdividindo por freguesia, ou seja, por exemplo: nos moinhos primeiro identifico os moinhos da ex-freguesia de Além da Ribeira e depois identifico os moinhos da ex-freguesia da Pedreira

1 . Areeiros

A extração de areias fluviais do rio Nabão constituiu uma atividade económica relevante na União de Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira entre as décadas de 1950 e 1980.

O licenciamento era obrigatório, a areia tinha como principal destino a construção civil.

Entre as décadas de 1950 e 1960 houve quatro areeiros em funcionamento.

Contudo, a atividade passou a enfrentar forte oposição pública e científica no final da década de 1970, devido aos impactos ambientais provocados nos ecossistemas ribeirinhos e nos fundos do rio, conduzindo posteriormente à proibição destas dragagens.

O facto de se tratar de um produto de muito baixo valor comercial inviabiliza o seu transporte à distância (sendo no nosso País o limite máximo ideal, de transporte rodoviário, um raio de 50 Km) também levou ao fecho destes areeiros.

1.1. - Areeiro - Luís Matos Viegas

Luís de Matos Viegas dono do Casal das Várzeas tinha junto ao rio Nabão dois areeiros. Um era explorado por Acácio Marques e outro por António Silva Antunes da zona de Figueiró dos Vinhos. O primeiro funcionou entre 1955 e 1965 e o segundo entre 1950 e 1970. A localização é muito perto do açude da Fábrica do Prado.

Coordenadas: 1º 39.643041147731594, -8.405748812155

Coordenadas: 2º 39.643365362674885, -8.405268762011863


1.2. - Areeiro - Paulino da Póvoa

O areeiro do Paulino funcionou entre 1966 e fins de 1975, junto ao rio Nabão acesso pela rua do Caldeirão, é visível do caminho de terra batida que passa ao lado da Fonte do Caldeirão na direção da Fonte da Romã.

No início era tudo manual, depois é que se fez a construção atual, onde tinha areia de 4 qualidades.

A areia era descarregada à pá do barco para um tapete rolante e lá em cima tinha uns crivos elétricos que faziam a descarga para dentro dos depósitos, sendo que quanto mais longe era o depósito, mais grossa era a areia (tinha areia de 3 ou 4 qualidades).

A construção atual possui vários compartimentos para cada calibre, onde cada um tem uma abertura de onde saía a areia pretendida, este areeiro já foi feito com o objetivo de o meio de transporte de venda da areia se posicionar debaixo da infraestrutura.

Coordenadas: 39.6494126219638, -8.412147408116116

Areeiro Paulino - Cristina Henriques - 2014


Uma das saídas do Areeiro- Cristina Henriques - 2014


 Acesso do transporte - Cristina Henriques - 2014


1.3. - Areeiro - Prado

Areeiro junto ao rio Nabão, perto da ponte do Prado, funcionou entre 1955 e 1980. De fácil acesso.  Ainda são visíveis estruturas em ruína junto à encosta.

Aqui a construção foi feita rente ao chão, no entanto, o acesso era muito mais rápido.

Coordenadas: 39.643901496245114, -8.399455726235168

Areeiro do Prado - Cristina Henriques - 2014


Rio Nabão junto ao Areeiro do Prado - Cristina Henriques – 2014


2 - Azenhas e moinhos

2A -  Azenhas e Moinhos do lado de Além da Ribeira

2A.1    – Azenha do Cairrão (1530?)

A azenha talvez seja  a construção que está junto à Fonte do Cairrão, onde desagua a Ribeira da Soianda Velha na Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira (um pequeno paraíso – aqui quando não havia água junto à Ponte Romana, era onde eu e a minha mãe vínhamos lavar roupa), tem uma levada a seu lado.

Informações encontradas:

“Em 1530 há referência a 4 moradores no lugar da Azenha do Cairrão.

Em 1641, a propósito de uma questão com um moinho do Agroal, junto à nascente, aparece, mencionado o nome do proprietário António Duarte, da Enxofreira, e uma testemunha do Vale do Poço. Esta refere os moinhos das Lapas como já estando alagados. Outra testemunha alude aos moinhos da Ribeira da Póvoa – Cairrão e Milheira (Rosa, A História de Tomar II, 1965).”

 

Coordenadas: 39.657026445281545, -8.398765135376772

 Nascente do Cairrão - Nuno Ferreira - Abr26

 

2A.2    - Azenha - Porto de Cavaleiros – margem esquerda

Azenha em Porto de Cavaleiros junto à margem esquerda do rio Nabão, existem apenas alguns vestígios (antigas paredes), o acesso terá de ser feito pelo terreno, atenção ao seu cultivo.

Coordenadas: 39.65619667815235, -8.427080674477432 em frente à fábrica

 

Azenha de Porto de Cavaleiros - Cristina Henriques - 2014

2A.3    – Moinho* do Alfaiate ou Moinho* Velho

Moinho junto ao Rio Nabão, a norte da Gruta do Morgado, ainda tem visível o apoio da roda em frente na outra margem (freguesia da Sabacheira) situava-se o Moinho* do Administrador ou mistrador[1] (Coordenadas: 39.658723704783476, -8.421453558217236).

Coordenadas: 39.65896683438718, -8.421614454080851

Moinho Velho ou do Alfaiate - Cristina Henriques - Mai22

Moinho Velho ou do Alfaiate - Sérgio Lopes

Moinho*do mistrador 1942 - facebook Hilário Guia


Moinho*do mistrador - Nuno Ferreira - 2023

2A.4    - Moinho do Vital perto do Casal das Várzeas

Moinho junto à Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira localiza-se junto  um açude na zona da Loureira antes de chegar ao Pego Estufo (onde desagua a Ribeira no rio Nabão)

Coordenadas: 39.647736402569606, -8.40710508110903 

Moinho do Vital perto do Casal das Várzeas - Cristina Henriques - 2014

Moinho do Vital perto do Casal das Várzeas - Cristina Henriques - 2014

2A.5    - Moinho e Lagar do Casal Velho

O moinho era junto ao lagar, o seu moleiro vivia na casa (39.669672874686306, -8.395400246080182) do outro lado da ribeira, localiza-se junto à Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira no Casal Velho ou Casal de Baixo, movido a água onde o rodízio está no cabouco e o piso de cima fica a um nível ligeiramente superior ao do leito da ribeira. O seu dono em 1971 era o Sr. Manuel Pereira – Pianã da Enxofreira. Em estado avançado de ruína.

Coordenadas: 39.66977364738493, -8.394874984707387

Moinho do Casal Velho e Casa do Moleiro do lado esquerdo - Nuno Ferreira - 2020

2A.6    – Moinho* e Lagar do Curto

Moinho e Lagar de Azeite com referência desde pelo menos 1660, movido a água, localiza-se junto à Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira, talvez inicialmente apenas para produção de farinha, mas também funcionou como lagar de azeite.

Em 1963 trabalhava, mas depois de 1970, já não. (Guia, 2014)

Muito perto do Moinho do Curto, havia um outro que estava relacionado com as freiras da Capela da Nossa Senhora do Mildeu (Guia, 2014).

Informações encontradas:

"Em 24 de Janeiro de 1660 foi dada sentença contra o rendeiro do Moinho* do Curto, que é das Religiosas de Santa Iria (Rosa, História de Tomar VOLII, 1982).”

 

Coordenadas: 39.678744758021644, -8.389194066001734


Moinho e Lagar do Curto - Cristina Henriques - 2013 

2A.7    – Moinhos* da Fervença

Os moinhos na Fervença ficam juntos à Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira, um dos acessos é seguir pela rua dos Moinhos até à ribeira. Um moinho era do Manuel Silva (pai de António Silva – avô do Amorim, Ermelinda e Firmo), o outro moinho era do Preto (alcunha). Moinhos de duas pedras, no Inverno moía milho, no Verão trigo.

Dependia do açude do Casal de Baixo para a água lá chegar através da levada. A minha mãe nos anos 60 – talvez com uns 12/14 anos ia buscar a farinha desde a Enxofreira ao moinho da Fervença com uma mula, o moleiro era António da Silva o meu avô gostava mais desse moleiro do que o moleiro que trabalhava no moinho do Casal de Baixo do ti Pianã.

Estiveram a trabalhar até 1970 (Guia, 2014).

Coordenadas: 39.66816001681488, -8.396098695074874


Moinho da Fervença - Nuno Ferreira - Ago13 

 Moinho da Fervença - localização da roda

2A.8     - Moinho das Lapas

Do moinho apenas restam alguns vestígios em algumas pedras junto ao Rio Nabão na direção da Foz da Ribeira do Fetal.

Informações encontradas:

“Em 1530 há referência a 4 moradores no lugar do Moinho das Lapas (aquelas pedras «cimentadas» com ferros cravados onde hoje (artigo do jornal da Cidade de Tomar de 1982 Manuel Guia escreveu) se lava a roupa).

Em 1641, a propósito de uma questão com um moinho do Agroal, junto à nascente, aparece, mencionado o nome do proprietário António Duarte, da Enxofreira, e uma testemunha do Vale do Poço. Esta refere os moinhos das Lapas como já estando alagados.

Em 22 de abril de 1685 o Juiz de Fora de Tomar mandou demolir um açude e uma levada, no sítio das Lapas, que António Ferreira, da Milheira, tinha feito para um Moinho, no rio Nabão. (Rosa, A História de Tomar II, 1965)

 Coordenadas: 39.660224410565846, -8.413248646316388

Vestígios Moinho? - Nuno Ferreira - 2015

2A.9    - Moinho da Milheira 1

Do moinho apenas restam alguns vestígios em algumas pedras junto à Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira, do lado esquerdo da Ponte da Milheira (sentido Póvoa/Tomar).

Coordenadas: 39.65252810366224, -8.403939646097882

Moinho da Milheira 1- Cristina Henriques – 2015

2A.10 - Moinho da Milheira 2

O moinho é agora uma pequena construção de apoio à horta, tendo a levada a seu lado. Localiza-se junto à Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira, do lado direito da Ponte da Milheira (sentido Póvoa/Tomar).

Informações encontradas que não se sabe a qual moinho faziam referência?:

“Em 1641, a propósito de uma questão com um moinho do Agroal, junto à nascente, aparece, mencionado o nome do proprietário António Duarte, da Enxofreira, e uma testemunha do Vale do Poço. Esta refere os moinhos das Lapas como já estando alagados. Outra testemunha alude aos moinhos da Ribeira da Póvoa – Cairrão e Milheira.

Em 1682 o Juiz de Fora de Tomar, deu sentença contra Martim Nabo Pessenha e seu moleiro do moinho da Milheira, sobre as águas que vêm do dito moinho para as Várzeas do Prado.

Em 1717 o Juiz de Fora de Tomar, deu sentença contra Luís de Salazar Vasconcelos e contra o seu moleiro do Moinho da Milheira-Póvoa sobre as águas que vinham do dito moinho para as Várzeas do Prado (Rosa, A História de Tomar II, 1965).”

Coordenadas: 39.65196918297401, -8.404459229922503

Moinho Milheira 2 – Cristina Henriques - 2015

2A.11 – Moinho no Porto Compadre

Moinho em ruínas junto ao Rio Nabão no Porto de Compadre era do Bisavô de Sérgio Lopes. O pai de José Lopes ajudava na distribuição da farinha pelos fregueses. Fechou em 1954 ou 1955. veio uma grande cheia que levou açude, ponte e parte do moinho e depois não havia dinheiro para recuperar tudo. a ponte era para ir para a freguesia da Sabacheira, donde era a maioria dos clientes e donde era natural o dono, que era o meu sogro. ele já herdou aquilo.
 
Coordenadas: 39.671790603304586, -8.429499646078854

Moinho Porto Compadre - Nuno Ferreira - 2021

2A.12  – Moinho da Póvoa

Moinho que se vê da Póvoa, junto ao açude na Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira. Construção recuperada para arrumos, pertence a Afonso Pardal da Póvoa

Coordenadas: 39.659353168118585, -8.402427617724799

Moinho da Póvoa - Cristina Henriques - nov14

2A.13  - Fábrica de Papel do Sobreirinho e seus moinhos

1882 – Ano em que foi inaugurada a Fábrica de Papel de Porto de Cavaleiros (8 de Março).A Fábrica de Papel do Sobreirinho bem como os seus moinhos de água foram vendidos por António Santos Monteiro à Fábrica do Papel do Prado e Marianaia (25 de Abril). 

Coordenadas: 39.653894657224, -8.410898790282966

Moinho do Sobreirinho - Nuno Ferreira - abr13

Moinho do Sobreirinho - Nuno Ferreira - abr13

2B       -  Azenhas e Moinhos do lado da Pedreira

2B.1    - Azenha - Porto de Cavaleiros – margem direita

Azenha em Porto de Cavaleiros junto à margem direita do rio Nabão, antes de ser fábrica?.

Coordenadas: 39.657227178089485, -8.428934214866391

 

Mós do Moinho de Porto de Cavaleiros . Nuno Ferreira - 2022

Fábrica/Moinho em 1900 - facebook

2B.2    – Moinho* do Caldeirão

Moinho na marquem direita do Rio Nabão junto à Fonte e Praia Fluvial do Caldeirão que pertenceu a Manuel Rosa do Fetal de Baixo, apenas existem as mós (Guia, 2014).

Coordenadas: 39.64500764245643, -8.410116088555057

Moinho do Caldeirão - Nuno Ferreira - Abr26

Moinho do Caldeirão - Nuno Ferreira - Abr26

2B.3    – Moinho* do Evaristo

Moinho junto à margem direita do Rio Nabão entre Porto de Cavaleiros e a Mendacha onde ainda se consegue visualizar uma parede.

Coordenadas: 39.65882349459402, -8.430528890965288

Moinho do Evaristo - Nuno Ferreira - Fev25

2B.4    – Moinhos da Fábrica Prado Karton  

Os moinhos de pelo menos de 1179 (Rosa, 1965) estão dentro da Fábrica Prado Karton  – Companhia de Cartão, S.A.

De seguida transcrevo excertos que fazem referência aos moinhos do Prado retirados de alguns Anais do Município de  Tomar e do livro História de Tomar Vol.I de Amorim Rosa 

“-Herdade dos Moinhos do Prado – Mestre do templo – Comendador e Alcaide de Tomar

Carta de doação à ordem do Templo de uma herdade aonde se chama Moinhos do Prado:

«em nome de Deus notificamos aos presentes e aos futuros que eu, Don Ooiro, de acordo com a minha mulher Toda Mendes, temente de Deus, por nossa morte damos a Deus e à Casa do templo, toda a nossa herdade tal como a havemos vista, nos Moinhos do Prado.

E Dona Toda ficará com o uso fruto depois da morte de Don Ooiro.

Igualmente ficam os freires os moinhos da moenga.

Para confirmar este facto estiveram presentes ...D. Tomás fez. Feita no mês de fevereiro de 1217 (1179).

Em fevereiro de 1179, D. Ooiro doou à Ordem do Templo a sua herdade dos Moinhos do Prado reservando o usufruto para sua mulher D. Toda Mendes. Era então o comendador de Portugal D. Frei Raimundo, e de Tomar D.  Frei Martinho Formarigo (Rosa, 1965).

Foi mandado fazer pelo Comendador de Portugal, D. Raimundo, e pelo Comendador de Tomar, D. Martinho Formarigo, e seu capelão D. Luís Martins.

Quem falseie seja excomungado com vida e, depois , precipitado no inferno.

Testemunhas: Pedro Gonçalves, presbítero; Gonçalo Dias; Pedro Mendes, etc. Pág. 48 

 IV – Comenda do Prado

Essa Comenda haja moinhos do Prado que são 6 e uma sede para moinho

A horta e o olival que valem  600 libras

Idem os casais que hi são feitos de Aquém e Além do Rio

Idem as caas de morada desse logar ..

»»Adega da Várzea Pequena que se chama «do Prado»

»» a vinha que tem Porto Carreiro

Do prado, já sabemos que foi doado em Fevereiro de 1217 ( 1179 da nossa era), e consta que os moinhos datam do primeiro procurador do Templo em Portugal, o que me parece um tanto duvidoso pois remontá-los-ia à segunda ou terceira década do Século XII, em que o Prado ainda estava nas «terras de ninguém», embora afastado das «penetrantes principais». Pág 67 (Rosa, 1965)

“1835 – o diário do Governo n.º 256, de 30 de outubro, manda por em hasta pública, em 23 de janeiro de 1836, os seguintes bens da Ordem de Cristo: Os Moinhos do Prado, de fazer farinha, que constam de 3 casas, uma das quais serve de cavalariça, e outras duas de residência dos moleiros, com duas hortas pequenas, uma várzea e terras de pão. Tem 5 pedras, 2 de azenha e 3 de rodízio, sendo 3 alveiras e 2 secundeiras. Partem de todos os lados com terras pertencentes ao extinto convento. Vai à praça em 2435$00 – pág. 430 (Rosa, Anais de Tomar 1801-1839, 1967).”

Coordenadas: 39.643592277693095, -8.403309193889827

Moinhos do Prado - facebook 2024

 

No link seguinte consegue obter a:

Localização no Google Maps das azenhas e dos moinhos da União de Freguesia de Além da Ribeira e Pedreira


[1] o vocábulo “administrador” por admistrador ou mistrador, são fenómenos fonéticos de linguagem popular, que pelo facto de serem pronunciados por pessoas que quase não sabem ler e escrever, podem ser interpretados oralmente de forma diversa; file:///C:/Users/07505895/Downloads/content%20(1).pdf


3 - Cerâmica

Nos Vales existe ainda vestígios de uma Cerâmica "Silva & Silva", fechou em 1955.

Produzia a telha Marselha. Esta telha de origem francesa, constitui um dos formatos tipicamente usados no nosso país.

Também existiu um forno de telha e tijolo perto do Porto de Compadre.


Coordenadas: 39.685518376517486, -8.406408280390698



Cerâmica dos Vales - Cristina Henriques - nov14



Cerâmica dos Vales - Cristina Henriques - nov14
Cerâmica dos Vales - Cristina Henriques - nov14

Telha da Cerâmica dos Vales - Cristina Henriques - nov14


3 - Ferrarias

3.1. -Ferrarias - Sobreirinho

Coordenadas: N 39º 41'     W 008º25'
Localização/Descrição: No cruzamento entre sobreirinho e Lapas, edifício onde dizem ter-se fabricado granadas e morou a Rainha (?), que depois passou a funcionar no Prado.
"As arenitos do veio Aveiro - Tomar, onde "mergulham" nos terrenos sedimentares mais modernos, dão lugar àquele saibro vermelho, que os nossos pedreiros usam na argamassa em vez da areia, costume tão peculiar em Tomar e, que ricas, em ferro, alimentaram as ferrarias do Prado e de São Lourenço." retirado do livro de Amorim Rosa - História de Tomar VOL I. Esta citação poderá explicar a  sua existência, pois nos nossos terrenos existe este saibro (?)


3.2. - Ferreiro - Carvalhal

Coordenadas: N 39º 41.528'   W 008º25.454'
Localização/Descrição: No Carvalhal, apenas fica o registo do local, que agora nada tem a ver.

3.3. - Ferreiros - Fetal - 2

Coordenadas: N 39º 41   W 008º25.
Localização/Descrição: Rua dos Ferreiros - Fetal, existiam dois, o que se encontrava mais a Norte - Manuel Calhau - passou a trabalhar e a viver na Póvoa.

3.4. - Ferreiro - Póvoa - 2

Coordenadas: N 39º 41   W 008º25
Localização/Descrição: Póvoa, um era o Sr. Manuel Calhau do Fetal e o outro ferreiro trabalhava na rua Direita nº 16.

4 - Fornos de Cal 

No território da união de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira conhecem-se 6 fornos de cal, todos eles em ruínas, 3 deles já praticamente são nulos os vestígios, apenas o conhecimento passado pelo Sr. Hilário e a D. Rosalina permite a lembrança dos mesmos (os dois fornos do Carqueijal e um do Porto de Compadre). 

Surgiram a partir de meados do Séc. XVIII[i] trabalhando até meados do Séc.  XX[ii].

        A cal que saía desses fornos, ”Misturada com saibro, constituía uma argamassa que fazia de elemento de ligação nas paredes em construção, adicionando-lhe água, servia para caiar paredes, dando-lhes uma cor branca e limpa; em agricultura, atuava como regulador do ph dos solos e era ainda usada para desinfetar os solos, como assegura António Leal: «quando morria um porco, punha-se uma pazada ou duas de cal para cima, antes de lhe pôr terra. Dizem que fazia bem e eu fazia-o..» (Fundação Dias Ferreira, 2017)”.

          Os fornos da nossa freguesia situam-se em locais onde existia abundância de pedra calcária e lenha (das estevas e outro mato existente), junto a caminhos. Os fornos são construídos em pedra, redondos, afunilados em cima e com uma abertura junto ao solo.

        Os fornos estão junto a encostas, envolvidos pela terra permitia manter a temperatura e é graças a isso que ainda se reconhece algumas paredes, tinham uma altura aproximada de 6 metros…

            Ao redor dos fornos trabalho não faltava, pois manter um forno com uma dimensão considerável era necessária muita matéria-prima a fim de o forno estar em atividade entre 15 dias a três semanas.

            A lenha trazida normalmente pelas mulheres (A minha avó Maria Emília foi uma das mulheres que carregou lenha para o forno de cal no Lameirão), era colocada também pela entrada, no espaço já deixado para o efeito e conforme se ia queimando ia se colocando mais, até a pedra passar a estar transformada em cal.


Profissões relacionadas com os Fornos de Cal:

 

- Forneiros ou partidores de pedra;

- Roçadores do mato;

- Empilhadores;

- Raparigas que transportavam a lenha à cabeça.


Expressões relacionadas com a Cal:


"Branco como a Cal" - empalidecer


"De pedra e Cal" - resistente, inabalável, muito firme



[i]  “A 28 de Outubro de 1749, se deu licença a Manuel Gonçalves e José Nunes, do lugar da Pedreira, para vender cal num forno deste termo.

No dia 11 de Junho de 1751 o Senado da Câmara deu licença a José dos Santos, do lugar de S. Simão, para abrir um forno de cal, grande, e vender um moio dela a 550 réis, e a fanga a 60 réis.

A 22 de Agosto reuniu a Câmara Municipal, que deu licença a José Nunes, morador no lugar da Pedreira, freguesia de S. Miguel, para vender cada moio de cal a 550 réis, e a fanga a 60 réis, e no mais guardará a forma de postura. (Rosa, 1969)

Na Câmara de 8 de Agosto de 1789, taxaram assim os preços da cal:

Moio ( 15 fangas ou 60 alqueires)…….600 réis

Fanga …. 50 réis (Rosa, Anais do Município de Tomar 1771-1800, 1970)

 

[ii] “Não tem ideia do ano de construção dos fornos mas sabe que, quando nasceu, essa atividade já era praticada há muito e que, «quando tinha cerca de doze anos, foi feita a última fornada de cal no local» de Cumes. Testemunho de António Gonçalves Leal nascido a 28 de agosto de 1934 no lugar de Cumes, freguesia dos Chãos  (Fundação Dias Ferreira, 2017)


4.1. - Forno de Cal - Carqueijal

Coordenadas: N 39º 39.870'   W 008º25.434'
Localização/Descrição: Contra-Encosta do lado direito da ribeira do Fetal, Forno de Cal em ruínas.

4.2. - Forno de Cal - Carqueijal

Coordenadas: N 39º 39.683'   W 008º25.732'
Localização/Descrição: Encosta esquerda do rio Nabão, Forno de Cal em ruínas, funcionou até 1935.

4.3. - Forno de Cal - Porto de Compadre da D. Rosalina Henriques

Coordenadas: N 39º 40.338'   W 008º25.508'
Localização/Descrição: Do lado direito do caminho para Porto Compadre, Forno de Cal em ruínas onde ainda se vê a porta do forno, funcionou até 1935.

4.4. - Forno de Cal - Lameirão

Coordenadas: 39.692520141494626, -8.42418636226363
Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, junto à ribeira  , Forno de Cal em ruínas. Foi para este forno que a minha avó carregou lenha.

4.5. - Forno de Cal - Porto de Cavaleiros - 1

Coordenadas: 39.65276078696696, -8.434319517134067
Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, sentido Porto Cavaleiros/São Simão , Forno de Cal em ruínas. 
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada 
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026  - Cimo do Forno tirado do exterior


Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão -27Mar2026 - Zona envolvente - Extração de pedra

4.6. - Forno de Cal - Porto de Cavaleiros - 2

Coordenadas: 39.64639788583878, -8.439895810155639
Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, sentido Porto Cavaleiros/São Simão , Forno de Cal em ruínas. 

Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026  - Entrada

Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026  - Cimo do Forno tirado do interior


 - Forno de Telha e Tijolo - Porto de Compadre

Coordenadas: N 39º 40.372'   W 008º25.784'
Localização/Descrição: Junto ao caminho que vai dar ao Porto Compadre, as ruínas estão cobertas de vegetação, nos anos 30 já há referência da sua existência.

5 - Lagares de azeite

5.1 - Lagares do lado de Além da Ribeira

5.1.1    - Lagar do Casal Velho e Moinho

O lagar localiza-se junto à ribeira da Fervença no Casal Velho ou Casal de Baixo, movido a água onde o rodízio está no cabouco e o piso de cima fica a um nível ligeiramente superior ao do leito da ribeira. O seu dono em 1971 era o Sr. Manuel Pereira - Pianã. Em estado avançado de ruína, pode-se ainda observar as tulhas em cimento, as duas mós de pedra dentro de tanque de folha em forma de alguidar para triturar a azeitona, duas prensas hidráulicas para enceirar a massa da azeitona (no chão em 2013 ainda se encontravam ceras fig. 7)…

Coordenadas 39.66977364738493, -8.394874984707387

 

Figura 3 - Lagar Casal Velho - Nuno Ferreira Ago13

    Figura 4 - Lagar Casal Velho - Tulha - Nuno Ferreira Ago13

Figura 5 - Lagar Casal Velho - Moinho - Nuno Ferreira Ago13

 Figura 6 - Lagar Casal Velho – Prensas Hidráulicas - Nuno Ferreira Jun24


                                             Figura 7 - Lagar Casal Velho - Cera - Nuno Ferreira Ago13

5.1.2 - Lagar e azenha do Curto

Coordenadas: N 39˚39.298’ W 008˚24.008’

Lagar e azenha (a roda motriz encontrava-se em posição vertical, ainda há o vestígio da água a cair do alto – fig.9) de pelo menos de 1660, movido a água, localiza-se junto à ribeira da Fervença, talvez inicialmente apenas azenha para produção de farinha, mas também funcionou como lagar de azeite.

Este lagar era de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 11).

Coordenadas: 39.678744758021644, -8.389194066001734

Figura 8 - Retirado do livro "Coisas da Minha Terra"


Figura 9 - Lagar e Azenha do Curto - Nuno Ferreira12

Figura 10 - Lagar e Azenha do Curto - local da roda - Cristina Henriques Dez14

           Figura 11 - Lagar do Curto - As mós e o peso - Cristina Henriques Dez14

5.1.3 - Lagar da Fervença

Lagar movido a água em ruínas junto à ponte e ribeira da Fervença, foi do António da Silva da Póvoa, trabalhou até 1942.

Coordenadas: 39.66496917011426, -8.400242084961551

                                   Figura 12 - Lagar da Fervença - Cristina Henriques Dez14

5.1.4 - Lagar do Pereiro (Enxofreira)

Lagar no Beco do Lagar no Pereiro, inicialmente movido a bois e depois a fogo. Começou antes de 1900,  foi do bisavô do Carlos (Lobo) depois passou para o avô e mais tarde para um tio (os Mendes), só depois passou para cooperativa, esteve uns anos parado e depois reabriu em nome do atual dono e do pai (2014) durante mais um ano ou dois, tendo fechado por completo em 2000/2001.

Neste lagar ainda se visualiza as tulhas de cimento (fig. 15) que iam guardando o fruto que será esmagado pelas galgas. O número de tulhas varia consoante a capacidade do lagar. Por cada prensa ou vara há normalmente dez tulhas em cada lagar.

Os capachos que se encontram por cima das tulhas eram fabricados artesanalmente (na Escola Primária da Póvoa existia um à frente da porta para limparmos os sapatos) e, eram nestes capachos que cheios de massa levavam com água quente sendo depois empilhados sobre o estrado da prensa, a que se dá o nome de algués, saindo daqui o bagaço (fig. 14).

Coordenadas: 39.68197019189655, -8.41436123318038

Figura 13 - Lagar do Pereiro - Cristina Henriques Nov14

Figura 14 - Lagar do Pereiro - Cristina Henriques Nov14

Figura 15 - Lagar do Pereiro - Tulhas e Capachos - Cristina Henriques Nov14

5.1.5 - Lagar da Póvoa I (Pedregulho)

Lagar junto à estrada Principal da Póvoa (antigamente designado Pedregulho), perto da Casa do Zé Fagulha, movido a fogo, onde os meus pais faziam o azeite. Iniciou em 1943 e fechou pelos anos 90.

Coordenadas: 39.66491342217262, -8.40443169540719


                                        Figura 16 - Lagar da Póvoa - Cristina Henriques Set13

 

Figura 17 - Lagar da Póvoa - Cristina Henriques Set13 

5.1.6 - Lagar Velho da Póvoa II (Séc. XVIII?)

Lagar de pelo menos de 1710 (Rosa, A História de Tomar II, 1965)que se no Canto do Lagar Velho na Póvoa, no início as mulas puxavam as galgas, está em ruínas, pela área que ocupa tinha uma dimensão considerável para a época.

Este lagar era também de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 19).

Coordenadas: 39.65558275193413, -8.40507274337684

 

Figura 18 - Lagar Velho Póvoa - Cristina Henriques Nov14

 

Figura 19 - Lagar Velho da Póvoa - Cristina Henriques Nov14

5.1.7 - Lagar da Póvoa III

Lagar que já não existe, situava-se onde é agora a Casa Mortuária da Póvoa, pertencia ao marido – Chico, da Maria Duarte da Taberna à esquina.

Coordenadas: 39.65823263549142, -8.404256010735796

5.1.8 - Lagar dos Vales

Lagar de Edmundo de Freitas, localiza-se na Rua Principal nos Vales, lagar que foi modernizado. Aqui a moagem já é feita através de martelos de aço inoxidável em substituição das antigas mós de pedra.

Coordenadas: 39.686089970518196, -8.40643029077127 

Figura 20 - Lagar dos Vales - Nuno Ferreira Nov12

Figura 21 - Lagar dos Vales - Nuno Ferreira Nov12


5.2      - Lagares do lado da Pedreira

5.2.1     - Lagar de António Aparício Cardoso (genro do José Neto) e outros - Pedreira

O primeiro lagar  que se conhece da Pedreira (fonte: Adelino Honrado) era de José Neto e depois do seu genro António Aparício Cardoso na rua do Canto, movido com motores a gasóleo, entretanto como este era pequeno passou a funcionar mais abaixo, com dois pisos, junto à Rua Carlos Augusto Coelho quase em frente ao lagar de António Pereira da Costa, que entretanto deixou de ser movido a gasóleo para passar a ser a eletricidade. Ambos os lagares foram substituídos por habitações. No entanto, ainda é possível distinguir alguns vestígios do primeiro lagar.  A localização do segundo lagar é facilitada com o facto de o caminho a seu lado chamar-se “Az do Lagar”.

Coordenadas do primeiro: 39.640839748432875, -8.40816970321841

Coordenadas do segundo: 39.64043366894921, -8.407194370711881

Figura 22 - 1º Lagar de José Neto - Fernando Gonçalves Abr26

5.2.2     - Lagar de António Pereira da Costa - Pedreira

Lagar movido com animais, situava-se junto à Rua Carlos Augusto Coelho quase em frente ao lagar de António Aparício Cardoso (genro do José Neto) e outros (fonte: Adelino Honrado). O lagar também foi substituído por habitação.

Coordenadas:  39.640559878260966, -8.407489763241392

5.2.3     - Lagar da Quinta da Granja

Lagar movido a água, situa-se em frente à Quinta da Granja do Séc. XVI, o ribeiro de Paio Nunes era a força motriz deste lagar entrando por baixo e acionando o rodízio, mas pela foto do moinho/galgas parece ter sido também movido a animais? (quando o caudal da ribeira era pouco?), em 1990 já estava abandonado (Salema, 1993).

Este lagar era também de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 25). No chão em 1997 ainda se podiam distinguir as tarefas ou fontes que recebiam a água ruça da mistura com o azeite (fig. 26).

A minha avó que hoje faz 94 anos (12 de abril de 2026), levantava-se de madrugada mais a irmã Lídia para irem apanhar azeitona na Quinta da Granja e lá ficavam durante a semana.

Coordenadas: 39.628056262255996, -8.401985520761649

Figura 23 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997

Figura 24 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997

Figura 25 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997


                                         Figura 26 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997


5.2.4     - Lagar de João Azevedo e outros – S. Simão

Lagar referenciado no livro A Oliveira e o Azeite na Região de Tomar – Usos e Costumes de Manuel da Silva Guimarães (Pág. 139) ), mas que não sei qual a sua localização.

6 - Levadas

6.1. -Levada de água

Localização/Descrição: o seu percurso, inicia-se pouco depois da Azenha do Curto, passa pelo “Vale da Marinha”, Casal Velho, Fervença, Póvoa e termina na Milheira. A levada é um canal de circulação de água, está construída em pedra calcária da região embora algumas partes já se encontrem restauradas com cimento. As levadas tinham como principal função encaminhar a água para as terras hortícolas e força motriz dos moinhos de água. Há dias estipulados para cada zona, embora hoje em dia são poucos os que cultivam. Quando a água não era necessária e esta não se encontrava barrada no açude, proporciona umas pequenas cascatas como se vê nas imagens. Em alguns locais da levada podem-se ver lagostins. As imagens que seguem são uma pequena amostra da levada, também se pode observar como eram feitos os acessos às hortas, quando estas se encontram no piso superior. 


Levada com a passagem e escada de acesso aos terrenos cimeiros




Acesso fechado à levada de água que segue a seguir ao açude da Póvoa


8- Nora

8.1. - Nora

Localização/Descrição: Localiza-se na Póvoa perto da Ribeira da Milheira, fica ao lado do caminho entre o Cairrão e as Sepulturas escavadas na Rocha. Propriedade privada.
A nora possuí uma haste horizontal (cambeão do engenho) acoplada a um eixo vertical que por sua vez está ligado a um sistema de rodas dentadas. Este sistema faz circular um conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície. Os alcatruzes descem vazios, enchem-se no fundo do poço, regressam e quando atingem a posição mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz para horta ou para pequenos tanques de pedra. É um engenho de tração animal (burro ou mula com os olhos tapados de lado), o qual é preso à haste horizontal e em movimentos circulares vai retirando a água do poço. Vieram substituir as picotas ou cegonhas.


9 - Pedreiras

9.1. - Pedreiras

Coordenadas: N 39˚40.139’ W 008˚24.679’
Localização/Descrição: Situam-se um pouco por toda a freguesia, nomeadamente no Barreirão, Murinhal, Relvancha, Vale das Aroeiras e Vale Venteiro; são zonas onde a existência de cabocos ou barrocos permitia a sua extração, depois retirada em locais a 4 bois. a pedra saiu para a construção de levadas, escola do Fetal, barragem do Castelo de Bode, edifício da Caixa Geral de Depósitos em Tomar que era antigamente do lado direito da Igreja de São João Batista. A exploração começou pelo menos em 1935 pelo pessoal da Pedreira que vinha pelas Lapas e terminou nos anos 60, pois era mais rentável a pedra vinda de Fátima. Além da exploração também há referência de haver uma barraquita para acabamentos.


10 - Picota ou Cegonha

10.1. - Picota ou Cegonha 

Coordenadas: N 39˚ 41.243’ W 008˚ 24.684’
Localização/Descrição: Situa-se ao lado da Travessa da Lagoa no Vale do Poço. Em baixo encontra-se o desenho do mecanismo completo, esta imagem foi retirada do livro "À procura da tua História – Freguesia da Serra” de Ada Fernandes Brito, na Serra davam o nome de gaivota ou balança, aparelho de elevação de água, constituído por uma vara oscilante sobre uma forquilha, base de pedra os braços em madeira, onde se colocava numa ponta um balde e na extremidade oposta um contrapeso de pedra, era um movimento que dependia muito da força da pessoa que accionava a alavanca, daqui saia água para regar as hortas.




11 - Rodas Hidráulicas

11.1. - Roda Hidráulica

Coordenadas: N 39˚ 39.388’ W 008˚ 24.542’
Localização/ Descrição: Localiza-se no rio Nabão entre as Lapas e o Sobreirinho junto a terreno hortícola, o acesso terá de ser feito pela linha de água ou dentro do rio. Arquitetura agrícola, utilizada para elevar a água dos rios, o seu destino é a irrigação dos campos hortícolas. A força da corrente concentra-se numa única estreita saída, que movimentava a roda através das pás, feita por carpinteiros com madeira de pinheiro ou carvalho. Os alcatruzes presos aos arcos desta roda são de folha.




12 - Tanques

12.1. - Tanques

Localização/Descrição: em praticamente todas as habitações do início do séc. XX ao lado do poço (depósito de água – construído em pedra calcária, normalmente a baixo do nível do solo, para aproveitamento das águas da chuva), também ainda se encontram isolados em terrenos de cultivo, para assim as pessoas poderem regar as suas hortas ou dar de beber aos animais.



Arquitetura Industrial

A arquitetura industrial que existiu na nossa freguesia foi apenas a conhecida Fábrica de Papel do Sobreirinho que se situa junto à conhecida praia dos Tezos e uma pequena cerâmica.

Fábrica e Azenha do Sobreirinho

Coordenadas: N 39˚39.238’ W 008˚24.638’
Localização/Descrição: Junto ao rio Nabão. Segundo o livro  Nabão    refere "ter conhecimento de nele ter havido uma moenga particular, que ainda existia em 1845".
A sua existência é pelo menos desde Fevereiro de 1874, pois é nesta altura que aparece a primeira referência à mesma, empregava 54 operários, sendo 21 homens e 33 mulheres, a maioria do lugar da Póvoa. Seis anos depois, 25 de Abril de 1882, a Companhia do Papel do Prado comprou-a a António dos Santos Monteiro. Foi pouco depois fechada e retirada os seus maquinismos rudimentares. Parece que a Companhia do Papel do Prado a comprou apenas para evitar que ali se estabelecesse uma concorrente. Voltou ali a funcionar uma azenha (Rosa, História de Tomar VOLII, 1982).
Em 1874 e 1875, era seu administrador Silvério da Costa Gonçalves. Mas em 25 de Abril de 1876 pertencia a João Delgado da Silva. livro Nabão





Cerâmica Vales Silva & Silva

Coordenadas: N 39˚40.917’ W 008˚24.381’
Localização/Descrição: Junto ao Lagar dos Vales, antiga cerâmica de telha, fechou em 1955.
Novembro 2014 - Boca do Forno

Novembro 2014 - Telha da cerâmica

Novembro 2014 - Parede virada a Este



1 comentário:

  1. Por foavor,
    Quando fala sobre a fábrica do Sobreirinho faz referência a uma bibliografia
    "Segundo o livro Nabão refere "ter conhecimento de nele ter havido uma moenga particular, que ainda existia em 1845"!".
    Poderia me passar a referência deste livro Nabão
    Obrigada

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