Arquitetura de Produção
Fornos de cal também existiram na nossa freguesia, locais onde era transformado o calcário e ainda forno de telha e tijolo.
1.1. - Arieiro - Luís Matos Viegas
1.2. - Arieiro - Paulino da Póvoa
| Novembro 2014 |
| Novembro 2014 Boca de saída da areia para o transporte |
| Novembro 2014 - Acesso do transporte |
1.3. - Arieiro - Prado
2 - Azenhas
2.1. - Azenha e Lagar do Curto
2.2. - Azenha - Porto de Cavaleiros
3 - Ferrarias
3.1. -Ferrarias - Sobreirinho
3.2. - Ferreiro - Carvalhal
Coordenadas: N 39º 41.528' W 008º25.454'
Localização/Descrição: No Carvalhal, apenas fica o registo do local, que agora nada tem a ver.
3.3. - Ferreiros - Fetal - 2
Coordenadas: N 39º 41 W 008º25.
Localização/Descrição: Rua dos Ferreiros - Fetal, existiam dois, o que se encontrava mais a Norte - Manuel Calhau - passou a trabalhar e a viver na Póvoa.
3.4. - Ferreiro - Póvoa - 2
Coordenadas: N 39º 41 W 008º25
Localização/Descrição: Póvoa, um era o Sr. Manuel Calhau do Fetal e o outro ferreiro trabalhava na rua Direita nº 16.
4 - Fornos de Cal
No território da união de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira conhecem-se 6 fornos de cal, todos eles em ruínas, 3 deles já praticamente são nulos os vestígios, apenas o conhecimento passado pelo Sr. Hilário e a D. Rosalina permite a lembrança dos mesmos (os dois fornos do Carqueijal e um do Porto de Compadre).
Surgiram a partir de meados do Séc. XVIII[i] trabalhando até meados do Séc. XX[ii].
A cal que saía desses fornos, ”Misturada com saibro, constituía uma argamassa que fazia de elemento de ligação nas paredes em construção, adicionando-lhe água, servia para caiar paredes, dando-lhes uma cor branca e limpa; em agricultura, atuava como regulador do ph dos solos e era ainda usada para desinfetar os solos, como assegura António Leal: «quando morria um porco, punha-se uma pazada ou duas de cal para cima, antes de lhe pôr terra. Dizem que fazia bem e eu fazia-o..»
Os fornos da nossa freguesia situam-se em locais onde existia abundância de pedra calcária e lenha (das estevas e outro mato existente), junto a caminhos. Os fornos são construídos em pedra, redondos, afunilados em cima e com uma abertura junto ao solo.
Os fornos estão junto a encostas, envolvidos pela terra permitia manter a temperatura e é graças a isso que ainda se reconhece algumas paredes, tinham uma altura aproximada de 6 metros…
Ao redor dos fornos trabalho não faltava, pois manter um forno com uma dimensão considerável era necessária muita matéria-prima a fim de o forno estar em atividade entre 15 dias a três semanas.
A lenha trazida normalmente pelas mulheres (A minha avó Maria Emília foi uma das mulheres que carregou lenha para o forno de cal no Lameirão), era colocada também pela entrada, no espaço já deixado para o efeito e conforme se ia queimando ia se colocando mais, até a pedra passar a estar transformada em cal.
Profissões relacionadas com os Fornos de Cal:
Expressões relacionadas com a Cal:
"Branco como a Cal" - empalidecer
"De pedra e Cal" - resistente, inabalável, muito firme
[i] “A 28 de Outubro de 1749, se deu licença a Manuel Gonçalves e José Nunes, do lugar da Pedreira, para vender cal num forno deste termo.
No dia 11 de Junho de 1751 o Senado da Câmara deu licença a José dos Santos, do lugar de S. Simão, para abrir um forno de cal, grande, e vender um moio dela a 550 réis, e a fanga a 60 réis.
A 22 de Agosto reuniu a Câmara Municipal, que deu licença a José Nunes, morador no lugar da Pedreira, freguesia de S. Miguel, para vender cada moio de cal a 550 réis, e a fanga a 60 réis, e no mais guardará a forma de postura.
Na Câmara de 8 de Agosto de 1789, taxaram assim os preços da cal:
Moio ( 15 fangas ou 60 alqueires)…….600 réis
Fanga …. 50 réis
[ii] “Não tem ideia do ano de construção dos fornos mas sabe que, quando nasceu, essa atividade já era praticada há muito e que, «quando tinha cerca de doze anos, foi feita a última fornada de cal no local» de Cumes. Testemunho de António Gonçalves Leal nascido a 28 de agosto de 1934 no lugar de Cumes, freguesia dos Chãos
4.1. - Forno de Cal - Carqueijal
Coordenadas: N 39º 39.870' W 008º25.434'
Localização/Descrição: Contra-Encosta do lado direito da ribeira do Fetal, Forno de Cal em ruínas.
4.2. - Forno de Cal - Carqueijal
Coordenadas: N 39º 39.683' W 008º25.732'
Localização/Descrição: Encosta esquerda do rio Nabão, Forno de Cal em ruínas, funcionou até 1935.
4.3. - Forno de Cal - Porto de Compadre da D. Rosalina Henriques
Coordenadas: N 39º 40.338' W 008º25.508'
Localização/Descrição: Do lado direito do caminho para Porto Compadre, Forno de Cal em ruínas onde ainda se vê a porta do forno, funcionou até 1935.
4.4. - Forno de Cal - Lameirão
Coordenadas: 39.692520141494626, -8.42418636226363Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, junto à ribeira , Forno de Cal em ruínas. Foi para este forno que a minha avó carregou lenha.
4.5. - Forno de Cal - Porto de Cavaleiros - 1
Coordenadas: 39.65276078696696, -8.434319517134067Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, sentido Porto Cavaleiros/São Simão , Forno de Cal em ruínas. Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Cimo do Forno tirado do exterior
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão -27Mar2026 - Zona envolvente - Extração de pedra4.6. - Forno de Cal - Porto de Cavaleiros - 2
Coordenadas: 39.64639788583878, -8.439895810155639Localização/Descrição: Do lado esquerdo do caminho, sentido Porto Cavaleiros/São Simão , Forno de Cal em ruínas.
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada
- Forno de Telha e Tijolo - Porto de Compadre
Coordenadas: N 39º 40.372' W 008º25.784'
Localização/Descrição: Junto ao caminho que vai dar ao Porto Compadre, as ruínas estão cobertas de vegetação, nos anos 30 já há referência da sua existência.
5 - Lagares de azeite
5.1 - Lagares do lado de Além da Ribeira
5.1.1 - Lagar do Casal Velho e Moinho
O lagar localiza-se junto à ribeira da Fervença no Casal Velho ou Casal de Baixo, movido a água onde o rodízio está no cabouco e o piso de cima fica a um nível ligeiramente superior ao do leito da ribeira. O seu dono em 1971 era o Sr. Manuel Pereira - Pianã. Em estado avançado de ruína, pode-se ainda observar as tulhas em cimento, as duas mós de pedra dentro de tanque de folha em forma de alguidar para triturar a azeitona, duas prensas hidráulicas para enceirar a massa da azeitona (no chão em 2013 ainda se encontravam ceras fig. 7)…
Coordenadas 39.66977364738493, -8.394874984707387
Figura 3 - Lagar Casal Velho - Nuno Ferreira Ago13
Figura 4 - Lagar Casal Velho - Tulha - Nuno Ferreira Ago13
Figura 5 - Lagar Casal Velho - Moinho - Nuno Ferreira Ago13
Figura 6 - Lagar Casal Velho – Prensas Hidráulicas - Nuno Ferreira Jun24
5.1.2 - Lagar e azenha do Curto
Coordenadas: N 39˚39.298’ W 008˚24.008’
Lagar e azenha (a roda motriz encontrava-se em posição vertical, ainda há o vestígio da água a cair do alto – fig.9) de pelo menos de 1660, movido a água, localiza-se junto à ribeira da Fervença, talvez inicialmente apenas azenha para produção de farinha, mas também funcionou como lagar de azeite.
Este lagar era de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 11).
Coordenadas: 39.678744758021644, -8.389194066001734
Figura 8 - Retirado do livro "Coisas da Minha Terra"
Figura 9 - Lagar e Azenha do Curto - Nuno Ferreira12
Figura 10 - Lagar e Azenha do Curto - local da roda - Cristina Henriques Dez14
Figura 11 - Lagar do Curto - As mós e o peso - Cristina Henriques Dez14
5.1.3 - Lagar da Fervença
Lagar movido a água em ruínas junto à ponte e ribeira da Fervença, foi do António da Silva da Póvoa, trabalhou até 1942.
Coordenadas: 39.66496917011426, -8.400242084961551
Figura 12 - Lagar da Fervença - Cristina Henriques Dez14
5.1.4 - Lagar do Pereiro (Enxofreira)
Lagar no Beco do Lagar no Pereiro, inicialmente movido a bois e depois a fogo. Começou antes de 1900, foi do bisavô do Carlos (Lobo) depois passou para o avô e mais tarde para um tio (os Mendes), só depois passou para cooperativa, esteve uns anos parado e depois reabriu em nome do atual dono e do pai (2014) durante mais um ano ou dois, tendo fechado por completo em 2000/2001.
Neste lagar ainda se visualiza as tulhas de cimento (fig. 15) que iam guardando o fruto que será esmagado pelas galgas. O número de tulhas varia consoante a capacidade do lagar. Por cada prensa ou vara há normalmente dez tulhas em cada lagar.
Os capachos que se encontram por cima das tulhas eram fabricados artesanalmente (na Escola Primária da Póvoa existia um à frente da porta para limparmos os sapatos) e, eram nestes capachos que cheios de massa levavam com água quente sendo depois empilhados sobre o estrado da prensa, a que se dá o nome de algués, saindo daqui o bagaço (fig. 14).
Coordenadas: 39.68197019189655, -8.41436123318038
Figura 13 - Lagar do Pereiro - Cristina Henriques Nov14
Figura 14 - Lagar do Pereiro - Cristina Henriques Nov14
Figura 15 - Lagar do Pereiro - Tulhas e Capachos - Cristina Henriques Nov14
5.1.5 - Lagar da Póvoa I (Pedregulho)
Lagar junto à estrada Principal da Póvoa (antigamente designado Pedregulho), perto da Casa do Zé Fagulha, movido a fogo, onde os meus pais faziam o azeite. Iniciou em 1943 e fechou pelos anos 90.
Coordenadas: 39.66491342217262, -8.40443169540719
Figura 16 - Lagar da Póvoa - Cristina Henriques Set13
Figura 17 - Lagar da Póvoa - Cristina Henriques Set13
5.1.6 - Lagar Velho da Póvoa II
Lagar que se no Canto do Lagar Velho na Póvoa, no início as mulas puxavam as galgas, está em ruínas, pela área que
ocupa tinha uma dimensão considerável para a época.
Este lagar era também de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 19).
Coordenadas: 39.65558275193413, -8.40507274337684
Figura 18 - Lagar Velho Póvoa - Cristina Henriques Nov14
Figura 19 - Lagar Velho da Póvoa - Cristina Henriques Nov14
5.1.7 - Lagar da Póvoa III
Lagar que já não existe, situava-se onde é agora a Casa Mortuária da Póvoa
Coordenadas: 39.65823263549142, -8.404256010735796
5.1.8 - Lagar dos Vales
Lagar de Edmundo de Freitas, localiza-se na Rua Principal nos Vales, lagar que foi modernizado. Aqui a moagem já é feita através de martelos de aço inoxidável em substituição das antigas mós de pedra.
Coordenadas: 39.686089970518196, -8.40643029077127
Figura 20 - Lagar dos Vales - Nuno Ferreira Nov12
Figura 21 - Lagar dos Vales - Nuno Ferreira Nov12
5.2 - Lagares do lado da Pedreira
5.2.1 - Lagar de António Aparício Cardoso (genro do José Neto) e outros - Pedreira
O primeiro lagar que se conhece da Pedreira (fonte: Adelino Honrado) era de José Neto e depois do seu genro António Aparício Cardoso na rua do Canto, movido com motores a gasóleo, entretanto como este era pequeno passou a funcionar mais abaixo, com dois pisos, junto à Rua Carlos Augusto Coelho quase em frente ao lagar de António Pereira da Costa, que entretanto deixou de ser movido a gasóleo para passar a ser a eletricidade. Ambos os lagares foram substituídos por habitações. No entanto, ainda é possível distinguir alguns vestígios do primeiro lagar. A localização do segundo lagar é facilitada com o facto de o caminho a seu lado chamar-se “Az do Lagar”.
Coordenadas do primeiro: 39.640839748432875, -8.40816970321841
Coordenadas do segundo:
Figura 22 - 1º Lagar de José Neto - Fernando Gonçalves Abr26
5.2.2 - Lagar de António Pereira da Costa - Pedreira
Lagar movido com animais, situava-se junto à Rua Carlos Augusto Coelho quase em frente ao lagar de António Aparício Cardoso (genro do José Neto) e outros (fonte: Adelino Honrado). O lagar também foi substituído por habitação.
Coordenadas:
5.2.3 - Lagar de Manuel da Fonseca Balas* – Quinta da Granja
Lagar movido a água, situa-se em frente à Quinta da Granja do Séc. XVI, o ribeiro de Paio Nunes era a força motriz deste lagar entrando por baixo e acionando o rodízio, mas pela foto do moinho/galgas parece ter sido também movido a animais? (quando o caudal da ribeira era pouco?), em 1990 já estava abandonado
Este lagar era também de vara pois ainda tem o peso utilizado para o enceiramento (fig. 25). No chão em 1997 ainda se podiam distinguir as tarefas ou fontes que recebiam a água ruça da mistura com o azeite (fig. 26).
A minha avó que hoje faz 94 anos (12 de abril de 2026), levantava-se de madrugada mais a irmã Lídia para irem apanhar azeitona na Quinta da Granja e lá ficavam durante a semana.
Coordenadas: 39.628056262255996, -8.401985520761649
*Existem dúvidas se este senhor era o dono do lagar da Quinta da Granja, pois aparece referenciado
Figura 23 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997
Figura 24 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997
Figura 25 - Lagar do Balas - Cristina Henriques 1997
5.2.4 - Lagar de João Azevedo e outros – S. Simão
Lagar referenciado no livro A Oliveira e o Azeite na Região de Tomar – Usos e Costumes de Manuel da Silva Guimarães (Pág. 139) ), mas que não sei qual a sua localização.
6 - Levadas
6.1. -Levada de água
| Levada com a passagem e escada de acesso aos terrenos cimeiros |
| Acesso fechado à levada de água que segue a seguir ao açude da Póvoa |
21 - Moinhos de água - Casal das Várzeas
7 - Moinhos
7.1. -*Moinhos de água - Fervença
7.2. - Moinhos de água - Milheira
7.3. - Moinhos de água - entre Porto de Compadre e Porto de Cavaleiros
7.4. - Moinhos de água - Porto Compadre
7.6. - Moinhos de água - Prado (em atualização)
Coordenadas: N 39˚xx.xxx’ W 008˚xx.xxx’
Localização/Descrição: Prado, junto ao rio Nabão.
8- Nora
8.1. - Nora
9 - Pedreiras
9.1. - Pedreiras
10 - Picota ou Cegonha
10.1. - Picota ou Cegonha
11 - Rodas Hidráulicas
11.1. - Roda Hidráulica
12 - Tanques
12.1. - Tanques
Arquitetura Industrial
Fábrica e Azenha do Sobreirinho
A sua existência é pelo menos desde Fevereiro de 1874, pois é nesta altura que aparece a primeira referência à mesma, empregava 54 operários, sendo 21 homens e 33 mulheres, a maioria do lugar da Póvoa. Seis anos depois, 25 de Abril de 1882, a Companhia do Papel do Prado comprou-a a António dos Santos Monteiro. Foi pouco depois fechada e retirada os seus maquinismos rudimentares. Parece que a Companhia do Papel do Prado a comprou apenas para evitar que ali se estabelecesse uma concorrente. Voltou ali a funcionar uma azenha (Rosa, História de Tomar VOLII, 1982).
Em 1874 e 1875, era seu administrador Silvério da Costa Gonçalves. Mas em 25 de Abril de 1876 pertencia a João Delgado da Silva. livro Nabão








Por foavor,
ResponderEliminarQuando fala sobre a fábrica do Sobreirinho faz referência a uma bibliografia
"Segundo o livro Nabão refere "ter conhecimento de nele ter havido uma moenga particular, que ainda existia em 1845"!".
Poderia me passar a referência deste livro Nabão
Obrigada