A nossa freguesia tem
dois cursos de água, o Rio Nabão que atravessa toda a freguesia e a Ribeira da
Fervença/Póvoa/Milheira que desagua no Rio Nabão do lado da antiga freguesia de
Além da Ribeira, e é aqui em ambos os cursos de água que se encontram os
açudes, moldando a paisagem e proporcionando espelhos de água lindíssimos bem
como bonitas cascatas.
“O homem medieval
transforma e melhora o curso de água, moderando a corrente por meio de açudes e
de engenhos hidráulicos. O emprego da energia hidráulica permitirá um
reordenamento do espaço físico e, com ele o controle da paisagem rural e urbana:
contribuirá, também, para o crescimento económico e consequente alteração
orgânica da vida social
Os açudes (todos eles de
alvenaria) são identificados pela ordem que vão surgindo de norte para sul.
Apenas consegui obter
informação mais pormenorizada dos açudes no Rio Nabão à exceção do açude do
Caldeirão.
1
– Açudes na Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira
1.1
- Açude do Curto
Coordenadas: 39°68032, -8°38880
Figura 1
- Açude do Curto Fonte: Fotografia de NF Dez14
1.2 – Açude de Vale da Marinha
Coordenadas: 39.66939, -8.39519
Figura 2-
Açude do Vale da Marinha Fonte: Fotografia de NF Mar24
1.3 - Açude Casal de Baixo
Coordenadas: 39°66944, -8°39511
Figura 3
- Açude do Casal de Baixo Fonte: Fotografia de NF Ago13
Figura 4
- Açude do Casal de Baixo - parte de cima - Fonte: Fotografia de NF Out07
1.4 – Açude da Fervença
Coordenadas: 39°66638, -8°39777
Figura 6
- Açude da Fervença Fonte: Fotografia de NF Jan22
1.5 – Açude da Póvoa
Coordenadas: 39.65940, -8.40230
Figura 8 - Açude da
Póvoa Fonte: Fotografia de NF Abr21
1.6 – Açude das Bicas
Coordenadas: 39.65397, -8.39853
Figura 9
- Açude das Bicas Fonte: Fotografia de NF Ago13
1.7 – Açude da Loureira
Coordenadas: 39.64789, -8.40715
Figura 10
- Açude da Loureira Fonte: Fotografia da autora Nov14
2
– Açudes no Rio Nabão
Também todos os açudes são
de alvenaria e por o Rio Nabão ter um maior caudal também são muito maiores em
largura e em altura.
2.1
- Açude de Porto de Cavaleiros
Coordenadas: 39°65736 -8°42875
Data
de construção: 1 de outubro de 1880. O velho açude dos moinhos de farinha
fundados por Bartolomeu Testa na segunda metade do séc. XVIII foi reedificado.
Em 1883 foram feitas obras de construção no açude transformando-o numa
construção sólida.
Extensão:
45 m de comprimento
Altura:
4,5 m de comprimento
Material
de Construção: Alvenaria
Função:
Serve em primeiro lugar a roda elevatória de água, para consumo da fábrica, as
turbinas e antiga roda hidráulica do maço de papel. O canal que serve a fábrica
tem 20 m de extensão.
Figura 11 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Arquivo digital (Facebook)- anos 40
Figura 12 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Fotografia de NF Mai16
2.2
- Açude do Sobreirinho
Coordenadas: 39°65408, -8°41080
Data de construção:
1845(?)
Em 1845 “A ponte do Sobreirinho aguarda a
sua reconstrução por o dono do moinho não a ter feito. Era um ponto de passagem
dos povos de um para o outro lado do rio. Vários moradores da Póvoa queixam-se
à Câmara pelo fato de Bartolomeu Testa dono do moinho do Sobreirinho ter feito
um açude mais alto e querer por uma calçada no rio em vez de ponte;”
Altura: ? em 1874 os
habitantes do lugar da Póvoa queixam-se do alteamento do açude da fábrica que
impossibilitava a utilização da água da fonte do rio.
“Na
sessão de 14 de Maio de 1875 e depois em 30 de Julho foi apresentado um
requerimento de Silvério Costa Gonçalves, sócio-gerente da Fábrica de Papel do
Sobreirinho, dizendo que alguns proprietários das rodas colocadas na parte inferior
da mesma, por tal forma vão elevando os açudes das referidas rodas que nas
águas represadas estorvam o regular andamento do motor da Fábrica, por ficar
não pouco metido debaixo de água. Que na parte superior da Fábrica existe,
marcada pela Câmara, a máxima altura a que se pode elevar a água do rio, e isto
em benefício da agricultura; e como em presença desta demarcação não seja
possível elevar-se nem o açude nem o motor da fábrica, pedia à Câmara
providências;”
Material de construção:
Alvenaria de pedra. Informações locais afirmam ser este um segundo açude que
serviu de moinho acoplado à antiga fábrica de papel.
Construtor: Bartolomeu
Testa, proprietário da fábrica e mestre da Fábrica do Papel do Prado. Foi
remodelado por Silvério da Costa Marques.
Função: Serviu as rodas
hidráulicas da fábrica e posteriormente a roda da azenha.
Figura 15 - Açude do Sobreirinho Fonte: Fotografia de NF Abr08
2.3 - Açude da Fonte do Caldeirão
Coordenadas: 39.64504, -8.40984
Este açude
normalmente está submerso devido à sua menor altura ou talvez por ser anterior
à data de construção do Açude do Prado.
Figura 17 - Açude do Caldeirão Fonte: Fotografia de NF Abr26
2.4 - Açude do Prado
Coordenadas: 39°64329, -8°40444
Data de construção: Existe uma chapa de bronze de 4cm de diâmetro com a
data de construção – 20/9/1822
Extensão:107,10m
Altura: 3,40m
Material de construção: Alvenaria em pedra com reboco em algumas
paredes.
Sistema de comportas: É muito curioso o sistema de comportas do canal
que se dispõe da seguinte forma: a 1ªcomporta do lado esquerdo do canal,
logo após o fim do açude, serve de descarga e foi montado em 5-11-1931:
seguem-se seis comportas em ferro e chama de tábuas de madeira, cuja função era
reguladora do nível do canal. Tem inscrito o seguinte: Fábrica do Prado.
Montagem em 17-8-1935. Logo a seguir segue-se uma casa por cima do canal, mais
antiga que as comportas e que deveria ser a casa do valador que procedia à
limpeza do canal; seguia-se uma terceira derivação, agora à direita, com
comporta que abria para a Quinta da Granja, tendo, pois, uma função meramente
agrícola. Finalmente junto à casa das turbinas estavam mais três comportas
datadas de 8-9-1936, duas para as turbinas mecânicas e outra para a turbina do
motor elétrico.
Obs. No açude, junto à
escada que desce para o rio está indicado um nível que se julga ser o de uma
cheia (1-10-1906). Junto à casa das turbinas estão indicados por ordem de
grandeza três cheias (1ª -1909-22-11; 2ª – 1915-29-11; 3ª -1936/18/2).
Função: represar a água
que servem a Fábrica de papel do Prado. Depois do açude as águas são trazidas à
fábrica por um canal de 307,10m de comprimento, 6,50m de largura e 2m de
altura.
Figura 19 - Vista
Aérea Açude do Prado Fonte: Fotografia da autora Mar23
2.5 - Açude da Pedra – Açude da Real Fábrica da
Fiação (antiga localização da
Ponte da Granja)
Coordenadas: 39.62014, -8.40662
“O açude que a (Real
Fábrica da Fiação) servia foi levantado em 1789, no local da antiga ponte da
Granja, destinando -se ao represamento das águas do rio Nabão para produção da
energia hidráulica que devia acionar as máquinas de fiação e cardagem. Assente
no leito fluvial rochoso, e detendo uma notável integração paisagística, o
açude consiste numa muralha angular disposta entre as duas margens, formada por
dois lanços desiguais, e completada pelo canal que conduzia a água para a
fábrica, com abertura regulada por cinco adufas. No lanço menor da muralha
ficavam as comportas de descarga do açude. Esta estrutura possibilitou a
introdução da energia elétrica nas suas instalações fabris, precedendo o futuro
uso da eletricidade como força motriz.”
“As águas deste açude ainda eram
responsáveis pelo funcionamento de engenhos de produção de farinha e azeite de
propriedade dos freires do Convento de Cristo, além de elevar água para a rega
das terras da Comenda do Prado e Quinta da Granja...”
Figura 20- Açude de
Pedra Fonte: Fotografia de NF Mar21
Outros açudes:
“Em 22 de abril de 1685
foi mandado demolir um açude e levada no sítio das Lapas, que um habitante da
Milheira tinha feito para um Moinho no rio Nabão.”
A imagem que se segue parece ser onde se situou o açude, tendo em conta
que também é aqui que se encontram umas pedras que parecem ter pertencido ao
moinho.
Figura 21 - Açude
das Lapas? Fonte: Fotografia de NF Set15
Bibliografia
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Municipal de Tomar. (outubro de 1992). Boletim Cultural da Câmara Municipal de
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https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22554/4/Aproveitamentos%20hidr%C3%A1ulicos%20no%20rio%20Ave_F.Costa.pdf
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Diário da República. (13 de Maio de 2013). Diário
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Ferreira, F. (1976). Coisas Simples da Terra
Tomarense - O Rio, os Açudes e as Rodas. Tomar: Junta Distrital de
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Repositório da Universidade de Lisboa. Obtido de Clara Xavier Marques -
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Ponte, S. d. (s.d.). Tomar: História e Geografias
Humanas no Tempo e no Espaço. Tomar.
Rosa, A. (1965). História de Tomar I. Tomar:
Gabinete de Estudos Tomarenses.
Rotary Clube de Tomar. (s.d.). O maravilhoso rio
Nabão, Monografia do rio Nabão. Tomar: Acitofeba.
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Bens Culturais do Concelho de Ferreira do Zêzere. Ferreira do Zêzere:
Fundação Maria Dias Ferreira.


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