quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Os açudes da freguesia de Além da Ribeira e Pedreira



A nossa freguesia tem dois cursos de água, o Rio Nabão que atravessa toda a freguesia e a Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira que desagua no Rio Nabão do lado da antiga freguesia de Além da Ribeira, e é aqui em ambos os cursos de água que se encontram os açudes, moldando a paisagem e proporcionando espelhos de água lindíssimos bem como bonitas cascatas.

“O homem medieval transforma e melhora o curso de água, moderando a corrente por meio de açudes e de engenhos hidráulicos. O emprego da energia hidráulica permitirá um reordenamento do espaço físico e, com ele o controle da paisagem rural e urbana: contribuirá, também, para o crescimento económico e consequente alteração orgânica da vida social (Ponte).”

 

Os açudes (todos eles de alvenaria) são identificados pela ordem que vão surgindo de norte para sul.

Apenas consegui obter informação mais pormenorizada dos açudes no Rio Nabão à exceção do açude do Caldeirão.

1 – Açudes na Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira

 

1.1 - Açude do Curto

Coordenadas: 39°68032, -8°38880

                                       

Figura 1 - Açude do Curto Fonte: Fotografia de NF Dez14

1.2 – Açude de Vale da Marinha

Coordenadas: 39.66939, -8.39519



Figura 2- Açude do Vale da Marinha Fonte: Fotografia de NF Mar24

1.3 - Açude Casal de Baixo

Coordenadas: 39°66944, -8°39511

                                         

Figura 3 - Açude do Casal de Baixo Fonte: Fotografia de NF Ago13

Figura 4 - Açude do Casal de Baixo - parte de cima - Fonte: Fotografia de NF Out07

1.4 – Açude da Fervença

Coordenadas: 39°66638, -8°39777


Figura 5 - Açude da Fervença Fonte: Fotografia de NF Ago13

Figura 6 - Açude da Fervença Fonte: Fotografia de NF Jan22

1.5 – Açude da Póvoa

Coordenadas: 39.65940, -8.40230


Figura 7 - Açude da Póvoa Fonte: Fotografia de NF Ago13

Figura 8 - Açude da Póvoa Fonte: Fotografia de NF Abr21

1.6 – Açude das Bicas

Coordenadas: 39.65397, -8.39853

                                

Figura 9 - Açude das Bicas Fonte: Fotografia de NF Ago13

 

1.7 – Açude da Loureira

Coordenadas: 39.64789, -8.40715

                                 

                                Figura 10 - Açude da Loureira Fonte: Fotografia da autora Nov14

 

2 – Açudes no Rio Nabão

Também todos os açudes são de alvenaria e por o Rio Nabão ter um maior caudal também são muito maiores em largura e em altura.

 

2.1 - Açude de Porto de Cavaleiros

Coordenadas: 39°65736 -8°42875

Data de construção: 1 de outubro de 1880. O velho açude dos moinhos de farinha fundados por Bartolomeu Testa na segunda metade do séc. XVIII foi reedificado. Em 1883 foram feitas obras de construção no açude transformando-o numa construção sólida.

Extensão: 45 m de comprimento

Altura: 4,5 m de comprimento

Material de Construção: Alvenaria

Função: Serve em primeiro lugar a roda elevatória de água, para consumo da fábrica, as turbinas e antiga roda hidráulica do maço de papel. O canal que serve a fábrica tem 20 m de extensão.

                              

        Figura 11 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Arquivo digital (Facebook)- anos 40

                        Figura 12 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Fotografia de NF Mai16

 
Figura 13 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Arquivo digital (Facebook)- anos 40

2.2 - Açude do Sobreirinho

Coordenadas: 39°65408, -8°41080

Data de construção: 1845(?)

Em 1845 “A ponte do Sobreirinho aguarda a sua reconstrução por o dono do moinho não a ter feito. Era um ponto de passagem dos povos de um para o outro lado do rio. Vários moradores da Póvoa queixam-se à Câmara pelo fato de Bartolomeu Testa dono do moinho do Sobreirinho ter feito um açude mais alto e querer por uma calçada no rio em vez de ponte;”

Altura: ? em 1874 os habitantes do lugar da Póvoa queixam-se do alteamento do açude da fábrica que impossibilitava a utilização da água da fonte do rio.

“Na sessão de 14 de Maio de 1875 e depois em 30 de Julho foi apresentado um requerimento de Silvério Costa Gonçalves, sócio-gerente da Fábrica de Papel do Sobreirinho, dizendo que alguns proprietários das rodas colocadas na parte inferior da mesma, por tal forma vão elevando os açudes das referidas rodas que nas águas represadas estorvam o regular andamento do motor da Fábrica, por ficar não pouco metido debaixo de água. Que na parte superior da Fábrica existe, marcada pela Câmara, a máxima altura a que se pode elevar a água do rio, e isto em benefício da agricultura; e como em presença desta demarcação não seja possível elevar-se nem o açude nem o motor da fábrica, pedia à Câmara providências;”

Material de construção: Alvenaria de pedra. Informações locais afirmam ser este um segundo açude que serviu de moinho acoplado à antiga fábrica de papel.

Construtor: Bartolomeu Testa, proprietário da fábrica e mestre da Fábrica do Papel do Prado. Foi remodelado por Silvério da Costa Marques.

Função: Serviu as rodas hidráulicas da fábrica e posteriormente a roda da azenha.


Figura 14 - Açude do Sobreirinho Fonte: Fotografia de NF Jul18


 Figura 15 - Açude do Sobreirinho Fonte: Fotografia de NF Abr08

 

2.3 - Açude da Fonte do Caldeirão

Coordenadas: 39.64504, -8.40984

 Este açude normalmente está submerso devido à sua menor altura ou talvez por ser anterior à data de construção do Açude do Prado.


Figura 16 - Açude do Caldeirão Fonte: Fotografia de NF Set20

Figura 17 - Açude do Caldeirão Fonte: Fotografia de NF Abr26

2.4 - Açude do Prado

Coordenadas: 39°64329, -8°40444

Data de construção: Existe uma chapa de bronze de 4cm de diâmetro com a data de construção – 20/9/1822

Extensão:107,10m

Altura: 3,40m

Material de construção: Alvenaria em pedra com reboco em algumas paredes.

Sistema de comportas: É muito curioso o sistema de comportas do canal que se dispõe da seguinte forma: a 1ªcomporta do lado esquerdo do canal, logo após o fim do açude, serve de descarga e foi montado em 5-11-1931: seguem-se seis comportas em ferro e chama de tábuas de madeira, cuja função era reguladora do nível do canal. Tem inscrito o seguinte: Fábrica do Prado. Montagem em 17-8-1935. Logo a seguir segue-se uma casa por cima do canal, mais antiga que as comportas e que deveria ser a casa do valador que procedia à limpeza do canal; seguia-se uma terceira derivação, agora à direita, com comporta que abria para a Quinta da Granja, tendo, pois, uma função meramente agrícola. Finalmente junto à casa das turbinas estavam mais três comportas datadas de 8-9-1936, duas para as turbinas mecânicas e outra para a turbina do motor elétrico.

Obs. No açude, junto à escada que desce para o rio está indicado um nível que se julga ser o de uma cheia (1-10-1906). Junto à casa das turbinas estão indicados por ordem de grandeza três cheias (1ª -1909-22-11; 2ª – 1915-29-11; 3ª -1936/18/2).

Função: represar a água que servem a Fábrica de papel do Prado. Depois do açude as águas são trazidas à fábrica por um canal de 307,10m de comprimento, 6,50m de largura e 2m de altura.


Figura 18 - Açude do Prado Fonte: Arquivo digital (Facebook)

Figura 19 - Vista Aérea Açude do Prado Fonte: Fotografia da autora Mar23

2.5 - Açude da Pedra – Açude da Real Fábrica da Fiação (antiga localização da Ponte da Granja) (Cultural, 2022) - 1789

Coordenadas: 39.62014, -8.40662

“O açude que a (Real Fábrica da Fiação) servia foi levantado em 1789, no local da antiga ponte da Granja, destinando -se ao represamento das águas do rio Nabão para produção da energia hidráulica que devia acionar as máquinas de fiação e cardagem. Assente no leito fluvial rochoso, e detendo uma notável integração paisagística, o açude consiste numa muralha angular disposta entre as duas margens, formada por dois lanços desiguais, e completada pelo canal que conduzia a água para a fábrica, com abertura regulada por cinco adufas. No lanço menor da muralha ficavam as comportas de descarga do açude. Esta estrutura possibilitou a introdução da energia elétrica nas suas instalações fabris, precedendo o futuro uso da eletricidade como força motriz.” (Diário da República, 2013)

“As águas deste açude ainda eram responsáveis pelo funcionamento de engenhos de produção de farinha e azeite de propriedade dos freires do Convento de Cristo, além de elevar água para a rega das terras da Comenda do Prado e Quinta da Granja...” (Marques, 2021) 

Figura 20- Açude de Pedra Fonte: Fotografia de NF Mar21

Outros açudes:

“Em 22 de abril de 1685 foi mandado demolir um açude e levada no sítio das Lapas, que um habitante da Milheira tinha feito para um Moinho no rio Nabão.” (Rosa, 1965)

A imagem que se segue parece ser onde se situou o açude, tendo em conta que também é aqui que se encontram umas pedras que parecem ter pertencido ao moinho.

Figura 21 - Açude das Lapas? Fonte: Fotografia de NF Set15

Bibliografia

Câmara Municipal de Tomar. (outubro de 1992). Boletim Cultural da Câmara Municipal de Tomar nº17. O rio, as rodas e os açudes, pp. 45-47.

Costa, F. S. (24 de 02 de 2022). Obtido de https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22554/4/Aproveitamentos%20hidr%C3%A1ulicos%20no%20rio%20Ave_F.Costa.pdf

Cultural, P. (20 de fevreiro de 2022). Açude da Fábrica de Fiação de Tomar. Obtido de PatrimónioCultural.gov.pt: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71263

Diário da República. (13 de Maio de 2013). Diário da República, 2.ª série — N.º 91 . Obtido de Diário da República: https://files.dre.pt/2s/2013/05/091000000/1504815049.pdf

Ferreira, F. (1976). Coisas Simples da Terra Tomarense - O Rio, os Açudes e as Rodas. Tomar: Junta Distrital de Santarém.

Marques, C. X. (2021). Clara Xavier Marques - Repositório da Universidade de Lisboa. Obtido de Clara Xavier Marques - Repositório da Universidade de Lisboa: file:///C:/Users/Cristina/Downloads/Marques_Clara%20Xavier_2021%20(1).pdf

Ponte, S. d. (s.d.). Tomar: História e Geografias Humanas no Tempo e no Espaço. Tomar.

Rosa, A. (1965). História de Tomar I. Tomar: Gabinete de Estudos Tomarenses.

Rotary Clube de Tomar. (s.d.). O maravilhoso rio Nabão, Monografia do rio Nabão. Tomar: Acitofeba.

Torrejais, A. (2008). Salvaguarda e Valorização de Bens Culturais do Concelho de Ferreira do Zêzere. Ferreira do Zêzere: Fundação Maria Dias Ferreira.



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