quarta-feira, 4 de maio de 2016

Fornos de cal

No território da união de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira conhecem-se 6 fornos de cal, todos eles em ruínas. 

Surgiram a partir de meados do Séc. XVIII[i] trabalhando até meados do Sec.  XX[ii].

        A cal que saía desses fornos, ”Misturada com saibro, constituía uma argamassa que fazia de elemento de ligação nas paredes em construção, adicionando-lhe água, servia para caiar paredes, dando-lhes uma cor branca e limpa; em agricultura, atuava como regulador do ph dos solos e era ainda usada para desinfetar os solos, como assegura António Leal: «quando morria um porco, punha-se uma pazada ou duas de cal para cima, antes de lhe pôr terra. Dizem que fazia bem e eu fazia-o..» (Fundação Dias Ferreira, 2017)”.

          Os fornos da nossa freguesia situam-se em locais onde existia abundância de pedra calcária e lenha (das estevas e outro mato existente), junto a caminhos. Os fornos são construídos em pedra, redondos, afunilados em cima e com uma abertura junto ao solo.

        Os fornos estão junto a encostas, envolvidos pela terra (ajudava a manter a temperatura), altos, com uma altura aproximada de 3 metros…

            Ao redor dos fornos trabalho não faltava, pois manter um forno com uma dimensão considerável a cozer pedra era necessária muita matéria-prima a fim de o forno estar em atividade entre 15 dias a três semanas.

            A lenha trazida normalmente pelas mulheres (A minha avó Maria Emília foi uma das mulheres que carregou lenha para o forno de cal no Lameirão), era colocada também pela entrada, no espaço já deixado para o efeito e conforme se ia queimando ia se colocando mais, até a pedra passar a estar transformada em cal.


 

Curiosidades:

 

A Cal artesanal de Moron foi reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

https://www.museocaldemoron.com/prensa/cal-artesana-de-estepa-sevilla/

 



A Maxical

SOCIEDADE INDUSTRIAL E COMERCIAL DE CAL DA MAXIEIRA UNIPESSOAL, LDA

É uma empresa cujo a sua atividade principal é a Produção e Comércio de Cal.

Com sede e fábrica em Maxieira, Freguesia de Fátima, Concelho de Ourém e Distrito de Santarém, tem a particularidade de uma parte da atividade ser a Produção de Cal em Processo Artesanal, “única ativa em Portugal”

 

 


 “1  APLICAÇÕES NA INDÚSTRIA DO PAPEL

No fabrico da pasta de papel a cal é utilizada para regenerar a soda cáustica. No fabrico de papel utiliza-se a cal para produzir o carbonato de cálcio precipitado (PPC), o consumo específico do carbonato é de 200 Kg/ton de papel, o que significa um consumo de cal correspondente a 112 Kg de cal viva / ton de papel.” 

http://www.microlime.pt/Aplica%C3%A7%C3%B5esdacal/tabid/244/Default.aspx



https://jornaldeca.pt/fornos-de-cal-marcam-a-historia-industrial-de-pontevel/


Profissões relacionadas com os Fornos de Cal:

 

- Forneiros ou partidores de pedra;

- Roçadores do mato;

- Empilhadores;

- Raparigas que transportavam a lenha à cabeça.


Expressões relacionadas com a Cal:


"Branco como a Cal" - empalidecer


"De pedra e Cal" - resistente, inabalável, muito firme



[i]  “A 28 de Outubro de 1749, se deu licença a Manuel Gonçalves e José Nunes, do lugar da Pedreira, para vender cal num forno deste termo.

No dia 11 de Junho de 1751 o Senado da Câmara deu licença a José dos Santos, do lugar de S. Simão, para abrir um forno de cal, grande, e vender um moio dela a 550 réis, e a fanga a 60 réis.

A 22 de Agosto reuniu a Câmara Municipal, que deu licença a José Nunes, morador no lugar da Pedreira, freguesia de S. Miguel, para vender cada moio de cal a 550 réis, e a fanga a 60 réis, e no mais guardará a forma de postura. (Rosa, 1969)

Na Câmara de 8 de Agosto de 1789, taxaram assim os preços da cal:

Moio ( 15 fangas ou 60 alqueires)…….600 réis

Fanga …. 50 réis (Rosa, Anais do Município de Tomar 1771-1800, 1970)

 

[ii] “Não tem ideia do ano de construção dos fornos mas sabe que, quando nasceu, essa atividade já era praticada há muito e que, «quando tinha cerca de doze anos, foi feita a última fornada de cal no local» de Cumes. Testemunho de António Gonçalves Leal nascido a 28 de agosto de 1934 no lugar de Cumes, freguesia dos Chãos  (Fundação Dias Ferreira, 2017)

1 - Forno de Cal no Lameirão:

39.692520141494626, -8.42418636226363
Forno de Cal - Lameirão - Dez 2020

2 - Forno de Cal no Carqueijal:

Forno de Cal - Carqueijal - Out 2014

3 - Forno de Cal no Carqueijal (mais em baixo):

Forno de Cal (apenas as pedras no chão) - Carqueijal - Out 2014


4 - Forno de Cal em Porto de Cavaleiros:

39.65276078696696, -8.434319517134067
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - Jun 2017 - Parte Superior 

39.65276078696696, -8.434319517134067
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - Jun 2017 - Entrada

39.65276078696696, -8.434319517134067
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - Jun 2017 - Lateral direita

5 - Forno de Cal no Porto Compadre da D. Rosalina Henriques:

Forno de Cal - Porto Compadre - Out 2014

D. Rosalina e o Sr. Hilário - Out 2014



Forno de Cal em Vale Figueira:

Vale  Figueira pertence à freguesia de Carregueiros mas coloco aqui esta imagem pois temos a noção mais realista de como seriam os fornos da nossa freguesia.

39.64116432298128, -8.451636407957496
Forno de Cal em Vale Figueira - Carregueiros