No território da união de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira conhecem-se 6 fornos de cal, todos eles em ruínas.
Surgiram a partir de meados do Séc. XVIII[i] trabalhando até meados do Sec. XX[ii].
A cal que
saía desses fornos, ”Misturada com saibro, constituía uma argamassa que fazia de
elemento de ligação nas paredes em construção, adicionando-lhe água, servia
para caiar paredes, dando-lhes uma cor branca e limpa; em agricultura, atuava
como regulador do ph dos solos e era ainda usada para desinfetar os solos, como
assegura António Leal: «quando morria um porco, punha-se uma pazada ou duas de
cal para cima, antes de lhe pôr terra. Dizem que fazia bem e eu fazia-o..»
Os fornos da
nossa freguesia situam-se em locais onde existia abundância de pedra calcária e
lenha (das estevas e outro mato existente), junto a caminhos. Os fornos são construídos
em pedra, redondos, afunilados em cima e com uma abertura junto ao solo.
Os fornos
estão junto a encostas, envolvidos pela terra (ajudava a manter a temperatura),
altos, com uma altura aproximada de 3 metros…
Ao redor dos
fornos trabalho não faltava, pois manter um forno com uma dimensão considerável
a cozer pedra era necessária muita matéria-prima a fim de o forno estar em
atividade entre 15 dias a três semanas.
A lenha trazida normalmente pelas
mulheres (A minha avó Maria Emília foi uma das mulheres
que carregou lenha para o forno de cal no Lameirão), era colocada também
pela entrada, no espaço já deixado para o efeito e conforme se ia queimando ia
se colocando mais, até a pedra passar a estar transformada em cal.
Curiosidades:
A Cal artesanal
de Moron foi reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da
Humanidade.
https://www.museocaldemoron.com/prensa/cal-artesana-de-estepa-sevilla/
A Maxical
SOCIEDADE INDUSTRIAL E COMERCIAL DE CAL DA MAXIEIRA UNIPESSOAL,
LDA
É uma empresa cujo a sua atividade
principal é a Produção e Comércio de Cal.
Com sede e fábrica em Maxieira,
Freguesia de Fátima, Concelho de Ourém e Distrito de Santarém, tem a particularidade
de uma parte da atividade ser a Produção de
Cal em Processo Artesanal, “única ativa em Portugal”
“1 APLICAÇÕES
NA INDÚSTRIA DO PAPEL
No fabrico da pasta de papel a cal é utilizada para regenerar a soda cáustica. No fabrico de papel utiliza-se a cal para produzir o carbonato de cálcio precipitado (PPC), o consumo específico do carbonato é de 200 Kg/ton de papel, o que significa um consumo de cal correspondente a 112 Kg de cal viva / ton de papel.”
http://www.microlime.pt/Aplica%C3%A7%C3%B5esdacal/tabid/244/Default.aspx
https://jornaldeca.pt/fornos-de-cal-marcam-a-historia-industrial-de-pontevel/
Profissões relacionadas com os Fornos de Cal:
Expressões relacionadas com a Cal:
"Branco como a Cal" - empalidecer
"De pedra e Cal" - resistente, inabalável, muito firme
[i] “A 28 de Outubro de 1749, se deu licença a
Manuel Gonçalves e José Nunes, do lugar da Pedreira, para vender cal num forno
deste termo.
No dia 11 de Junho de
1751 o Senado da Câmara deu licença a José dos Santos, do lugar de S. Simão,
para abrir um forno de cal, grande, e vender um moio dela a 550 réis, e a fanga
a 60 réis.
A 22 de Agosto reuniu a
Câmara Municipal, que deu licença a José Nunes, morador no lugar da Pedreira,
freguesia de S. Miguel, para vender cada moio de cal a 550 réis, e a fanga a 60
réis, e no mais guardará a forma de postura.
Na Câmara de 8 de Agosto
de 1789, taxaram assim os preços da cal:
Moio ( 15 fangas ou 60
alqueires)…….600 réis
Fanga …. 50 réis
[ii] “Não tem ideia do
ano de construção dos fornos mas sabe que, quando nasceu, essa atividade já era
praticada há muito e que, «quando tinha cerca de doze anos, foi feita a última
fornada de cal no local» de Cumes. Testemunho de António Gonçalves Leal nascido
a 28 de agosto de 1934 no lugar de Cumes, freguesia dos Chãos



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