No território da união de freguesias de Além da Ribeira e
Pedreira conhecem-se 6 fornos de cal, todos eles em
ruínas, 3 deles já praticamente são nulos os vestígios, apenas o conhecimento passado pelo Sr. Hilário e a D. Rosalina permite a lembrança dos mesmos (os dois fornos do Carqueijal e um do Porto de Compadre).
Surgiram a partir de meados do Séc. XVIII[i] trabalhando até meados do
Séc. XX[ii].
A cal que
saía desses fornos, ”Misturada com saibro, constituía uma argamassa que fazia de
elemento de ligação nas paredes em construção, adicionando-lhe água, servia
para caiar paredes, dando-lhes uma cor branca e limpa; em agricultura, atuava
como regulador do ph dos solos e era ainda usada para desinfetar os solos, como
assegura António Leal: «quando morria um porco, punha-se uma pazada ou duas de
cal para cima, antes de lhe pôr terra. Dizem que fazia bem e eu fazia-o..» (Fundação Dias
Ferreira, 2017)”.
Os fornos da
nossa freguesia situam-se em locais onde existia abundância de pedra calcária e
lenha (das estevas e outro mato existente), junto a caminhos. Os fornos são construídos
em pedra, redondos, afunilados em cima e com uma abertura junto ao solo.
Os fornos
estão junto a encostas, envolvidos pela terra permitia manter a temperatura e é graças a isso que ainda se reconhece algumas paredes, tinham uma altura aproximada de 6 metros…
Ao redor dos
fornos trabalho não faltava, pois manter um forno com uma dimensão considerável era necessária muita matéria-prima a fim de o forno estar em
atividade entre 15 dias a três semanas.
A lenha trazida normalmente pelas
mulheres (A minha avó Maria Emília foi uma das mulheres
que carregou lenha para o forno de cal no Lameirão), era colocada também
pela entrada, no espaço já deixado para o efeito e conforme se ia queimando ia
se colocando mais, até a pedra passar a estar transformada em cal.
Curiosidades:
A Cal artesanal
de Moron foi reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da
Humanidade.
https://www.museocaldemoron.com/prensa/cal-artesana-de-estepa-sevilla/
A Maxical
SOCIEDADE INDUSTRIAL E COMERCIAL DE CAL DA MAXIEIRA UNIPESSOAL,
LDA
É uma empresa cujo a sua atividade
principal é a Produção e Comércio de Cal.
Com sede e fábrica em Maxieira,
Freguesia de Fátima, Concelho de Ourém e Distrito de Santarém, tem a particularidade
de uma parte da atividade ser a Produção de
Cal em Processo Artesanal, “única ativa em Portugal”
“1 APLICAÇÕES
NA INDÚSTRIA DO PAPEL
No fabrico da pasta de papel
a cal é utilizada para regenerar a soda cáustica. No fabrico de papel
utiliza-se a cal para produzir o carbonato de cálcio precipitado (PPC), o
consumo específico do carbonato é de 200 Kg/ton de papel, o que significa um
consumo de cal correspondente a 112 Kg de cal viva / ton de papel.”
http://www.microlime.pt/Aplica%C3%A7%C3%B5esdacal/tabid/244/Default.aspx
https://jornaldeca.pt/fornos-de-cal-marcam-a-historia-industrial-de-pontevel/
Profissões relacionadas com os Fornos de Cal:
- Forneiros ou partidores de pedra;
- Roçadores do mato;
- Empilhadores;
- Raparigas que transportavam a lenha à cabeça.
Expressões relacionadas com a Cal:
"Branco como a Cal" - empalidecer
"De pedra e Cal" - resistente, inabalável, muito firme
[i] “A 28 de Outubro de 1749, se deu licença a
Manuel Gonçalves e José Nunes, do lugar da Pedreira, para vender cal num forno
deste termo.
No dia 11 de Junho de
1751 o Senado da Câmara deu licença a José dos Santos, do lugar de S. Simão,
para abrir um forno de cal, grande, e vender um moio dela a 550 réis, e a fanga
a 60 réis.
A 22 de Agosto reuniu a
Câmara Municipal, que deu licença a José Nunes, morador no lugar da Pedreira,
freguesia de S. Miguel, para vender cada moio de cal a 550 réis, e a fanga a 60
réis, e no mais guardará a forma de postura. (Rosa, 1969)
Na Câmara de 8 de Agosto
de 1789, taxaram assim os preços da cal:
Moio ( 15 fangas ou 60
alqueires)…….600 réis
Fanga …. 50 réis (Rosa, Anais
do Município de Tomar 1771-1800, 1970)
[ii] “Não tem ideia do
ano de construção dos fornos mas sabe que, quando nasceu, essa atividade já era
praticada há muito e que, «quando tinha cerca de doze anos, foi feita a última
fornada de cal no local» de Cumes. Testemunho de António Gonçalves Leal nascido
a 28 de agosto de 1934 no lugar de Cumes, freguesia dos Chãos (Fundação Dias
Ferreira, 2017)
1 - Forno de Cal no Lameirão:
39.692520141494626, -8.42418636226363
Forno de Cal - Lameirão - Dez 2020
2 - Forno de Cal no Carqueijal:
Forno de Cal - Carqueijal - Out 2014
3 - Forno de Cal no Carqueijal (mais em baixo):
Forno de Cal (apenas as pedras no chão) - Carqueijal - Out 2014
4 - Forno de Cal em Porto de Cavaleiros (1):
39.65276078696696, -8.434319517134067
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada
39.65276078696696, -8.434319517134067
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Cimo do Forno tirado do interior
39.65276078696696, -8.434319517134067
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão -27Mar2026 - Zona envolvente - Extração de pedra
5 - Forno de Cal em Porto de Cavaleiros (2):
39.64639788583878, -8.439895810155639
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada
39.64639788583878, -8.439895810155639
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Entrada vista do interior
39.64639788583878, -8.439895810155639
Forno de Cal - Entre a Fábrica de Porto de Cavaleiros e S. Simão - 27Mar2026 - Cimo do Forno tirado do interior
6 - Forno de Cal no Porto Compadre da D. Rosalina Henriques:
Forno de Cal - Porto Compadre - Out2014
D. Rosalina e o Sr. Hilário - Out2014
Forno de Cal em Vale Figueira:
Vale Figueira pertence à freguesia de Carregueiros mas coloco aqui esta imagem pois desta forma teremos a noção mais realista de como seriam os fornos da nossa freguesia.

39.64116432298128, -8.451636407957496
Forno de Cal em Vale Figueira - Carregueiros - 27Mar2026