No canto do Lagar Velho existem estas ruínas do que realmente parece ter sido um lagar de moer azeitona.
Coordenadas Google: 39.6559034,-8.4045425
Perpetuar o património material e imaterial existente na união de freguesias de Além da Ribeira e Pedreira
No canto do Lagar Velho existem estas ruínas do que realmente parece ter sido um lagar de moer azeitona.
Coordenadas Google: 39.6559034,-8.4045425
A nossa freguesia tem
dois cursos de água, o Rio Nabão que atravessa toda a freguesia e a Ribeira da
Fervença/Póvoa/Milheira que desagua no Rio Nabão do lado da antiga freguesia de
Além da Ribeira, e é aqui em ambos os cursos de água que se encontram os
açudes, moldando a paisagem e proporcionando espelhos de água lindíssimos bem
como bonitas cascatas.
“O homem medieval
transforma e melhora o curso de água, moderando a corrente por meio de açudes e
de engenhos hidráulicos. O emprego da energia hidráulica permitirá um
reordenamento do espaço físico e, com ele o controle da paisagem rural e urbana:
contribuirá, também, para o crescimento económico e consequente alteração
orgânica da vida social
Os açudes (todos eles de
alvenaria) são identificados pela ordem que vão surgindo de norte para sul.
Apenas consegui obter
informação mais pormenorizada dos açudes no Rio Nabão à exceção do açude do
Caldeirão.
1
– Açudes na Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira
1.1
- Açude do Curto
Coordenadas: 39°68032, -8°38880
Figura 1
- Açude do Curto Fonte: Fotografia de NF Dez14
1.2 – Açude de Vale da Marinha
Coordenadas: 39.66939, -8.39519
Figura 2-
Açude do Vale da Marinha Fonte: Fotografia de NF Mar24
1.3 - Açude Casal de Baixo
Coordenadas: 39°66944, -8°39511
Figura 3
- Açude do Casal de Baixo Fonte: Fotografia de NF Ago13
Figura 4
- Açude do Casal de Baixo - parte de cima - Fonte: Fotografia de NF Out07
1.4 – Açude da Fervença
Coordenadas: 39°66638, -8°39777
Figura 6
- Açude da Fervença Fonte: Fotografia de NF Jan22
1.5 – Açude da Póvoa
Coordenadas: 39.65940, -8.40230
Figura 8 - Açude da
Póvoa Fonte: Fotografia de NF Abr21
1.6 – Açude das Bicas
Coordenadas: 39.65397, -8.39853
Figura 9
- Açude das Bicas Fonte: Fotografia de NF Ago13
1.7 – Açude da Loureira
Coordenadas: 39.64789, -8.40715
Figura 10
- Açude da Loureira Fonte: Fotografia da autora Nov14
2
– Açudes no Rio Nabão
Também todos os açudes são
de alvenaria e por o Rio Nabão ter um maior caudal também são muito maiores em
largura e em altura.
2.1
- Açude de Porto de Cavaleiros
Coordenadas: 39°65736 -8°42875
Data
de construção: 1 de outubro de 1880. O velho açude dos moinhos de farinha
fundados por Bartolomeu Testa na segunda metade do séc. XVIII foi reedificado.
Em 1883 foram feitas obras de construção no açude transformando-o numa
construção sólida.
Extensão:
45 m de comprimento
Altura:
4,5 m de comprimento
Material
de Construção: Alvenaria
Função:
Serve em primeiro lugar a roda elevatória de água, para consumo da fábrica, as
turbinas e antiga roda hidráulica do maço de papel. O canal que serve a fábrica
tem 20 m de extensão.
Figura 11 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Arquivo digital (Facebook)- anos 40
Figura 12 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Fotografia de NF Mai16
2.2
- Açude do Sobreirinho
Coordenadas: 39°65408, -8°41080
Data de construção:
1845(?)
Em 1845 “A ponte do Sobreirinho aguarda a
sua reconstrução por o dono do moinho não a ter feito. Era um ponto de passagem
dos povos de um para o outro lado do rio. Vários moradores da Póvoa queixam-se
à Câmara pelo fato de Bartolomeu Testa dono do moinho do Sobreirinho ter feito
um açude mais alto e querer por uma calçada no rio em vez de ponte;”
Altura: ? em 1874 os
habitantes do lugar da Póvoa queixam-se do alteamento do açude da fábrica que
impossibilitava a utilização da água da fonte do rio.
“Na
sessão de 14 de Maio de 1875 e depois em 30 de Julho foi apresentado um
requerimento de Silvério Costa Gonçalves, sócio-gerente da Fábrica de Papel do
Sobreirinho, dizendo que alguns proprietários das rodas colocadas na parte inferior
da mesma, por tal forma vão elevando os açudes das referidas rodas que nas
águas represadas estorvam o regular andamento do motor da Fábrica, por ficar
não pouco metido debaixo de água. Que na parte superior da Fábrica existe,
marcada pela Câmara, a máxima altura a que se pode elevar a água do rio, e isto
em benefício da agricultura; e como em presença desta demarcação não seja
possível elevar-se nem o açude nem o motor da fábrica, pedia à Câmara
providências;”
Material de construção:
Alvenaria de pedra. Informações locais afirmam ser este um segundo açude que
serviu de moinho acoplado à antiga fábrica de papel.
Construtor: Bartolomeu
Testa, proprietário da fábrica e mestre da Fábrica do Papel do Prado. Foi
remodelado por Silvério da Costa Marques.
Função: Serviu as rodas
hidráulicas da fábrica e posteriormente a roda da azenha.
2.3 - Açude da Fonte do Caldeirão
Coordenadas: 39.64504, -8.40984
Este açude
normalmente está submerso devido à sua menor altura ou talvez por ser anterior
à data de construção do Açude do Prado.
Figura 17 - Açude do Caldeirão Fonte: Fotografia de NF Abr26
2.4 - Açude do Prado
Coordenadas: 39°64329, -8°40444
Data de construção: Existe uma chapa de bronze de 4cm de diâmetro com a
data de construção – 20/9/1822
Extensão:107,10m
Altura: 3,40m
Material de construção: Alvenaria em pedra com reboco em algumas
paredes.
Sistema de comportas: É muito curioso o sistema de comportas do canal
que se dispõe da seguinte forma: a 1ªcomporta do lado esquerdo do canal,
logo após o fim do açude, serve de descarga e foi montado em 5-11-1931:
seguem-se seis comportas em ferro e chama de tábuas de madeira, cuja função era
reguladora do nível do canal. Tem inscrito o seguinte: Fábrica do Prado.
Montagem em 17-8-1935. Logo a seguir segue-se uma casa por cima do canal, mais
antiga que as comportas e que deveria ser a casa do valador que procedia à
limpeza do canal; seguia-se uma terceira derivação, agora à direita, com
comporta que abria para a Quinta da Granja, tendo, pois, uma função meramente
agrícola. Finalmente junto à casa das turbinas estavam mais três comportas
datadas de 8-9-1936, duas para as turbinas mecânicas e outra para a turbina do
motor elétrico.
Obs. No açude, junto à
escada que desce para o rio está indicado um nível que se julga ser o de uma
cheia (1-10-1906). Junto à casa das turbinas estão indicados por ordem de
grandeza três cheias (1ª -1909-22-11; 2ª – 1915-29-11; 3ª -1936/18/2).
Função: represar a água
que servem a Fábrica de papel do Prado. Depois do açude as águas são trazidas à
fábrica por um canal de 307,10m de comprimento, 6,50m de largura e 2m de
altura.
Figura 19 - Vista
Aérea Açude do Prado Fonte: Fotografia da autora Mar23
2.5 - Açude da Pedra – Açude da Real Fábrica da
Fiação (antiga localização da
Ponte da Granja)
Coordenadas: 39.62014, -8.40662
“O açude que a (Real
Fábrica da Fiação) servia foi levantado em 1789, no local da antiga ponte da
Granja, destinando -se ao represamento das águas do rio Nabão para produção da
energia hidráulica que devia acionar as máquinas de fiação e cardagem. Assente
no leito fluvial rochoso, e detendo uma notável integração paisagística, o
açude consiste numa muralha angular disposta entre as duas margens, formada por
dois lanços desiguais, e completada pelo canal que conduzia a água para a
fábrica, com abertura regulada por cinco adufas. No lanço menor da muralha
ficavam as comportas de descarga do açude. Esta estrutura possibilitou a
introdução da energia elétrica nas suas instalações fabris, precedendo o futuro
uso da eletricidade como força motriz.”
“As águas deste açude ainda eram
responsáveis pelo funcionamento de engenhos de produção de farinha e azeite de
propriedade dos freires do Convento de Cristo, além de elevar água para a rega
das terras da Comenda do Prado e Quinta da Granja...”
Figura 20- Açude de
Pedra Fonte: Fotografia de NF Mar21
Outros açudes:
“Em 22 de abril de 1685
foi mandado demolir um açude e levada no sítio das Lapas, que um habitante da
Milheira tinha feito para um Moinho no rio Nabão.”
A imagem que se segue parece ser onde se situou o açude, tendo em conta
que também é aqui que se encontram umas pedras que parecem ter pertencido ao
moinho.
Figura 21 - Açude
das Lapas? Fonte: Fotografia de NF Set15
Câmara
Municipal de Tomar. (outubro de 1992). Boletim Cultural da Câmara Municipal de
Tomar nº17. O rio, as rodas e os açudes, pp. 45-47.
Costa, F. S. (24 de 02 de 2022). Obtido de
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22554/4/Aproveitamentos%20hidr%C3%A1ulicos%20no%20rio%20Ave_F.Costa.pdf
Cultural, P. (20 de fevreiro de 2022). Açude da
Fábrica de Fiação de Tomar. Obtido de PatrimónioCultural.gov.pt:
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71263
Diário da República. (13 de Maio de 2013). Diário
da República, 2.ª série — N.º 91 . Obtido de Diário da República:
https://files.dre.pt/2s/2013/05/091000000/1504815049.pdf
Ferreira, F. (1976). Coisas Simples da Terra
Tomarense - O Rio, os Açudes e as Rodas. Tomar: Junta Distrital de
Santarém.
Marques, C. X. (2021). Clara Xavier Marques -
Repositório da Universidade de Lisboa. Obtido de Clara Xavier Marques -
Repositório da Universidade de Lisboa: file:///C:/Users/Cristina/Downloads/Marques_Clara%20Xavier_2021%20(1).pdf
Ponte, S. d. (s.d.). Tomar: História e Geografias
Humanas no Tempo e no Espaço. Tomar.
Rosa, A. (1965). História de Tomar I. Tomar:
Gabinete de Estudos Tomarenses.
Rotary Clube de Tomar. (s.d.). O maravilhoso rio
Nabão, Monografia do rio Nabão. Tomar: Acitofeba.
Torrejais, A. (2008). Salvaguarda e Valorização de
Bens Culturais do Concelho de Ferreira do Zêzere. Ferreira do Zêzere:
Fundação Maria Dias Ferreira.
O território da freguesia é
atravessado pelo rio Nabão que permitiu a construção das três grandes fábricas
de papel (Sobreirinho, Porto de Cavaleiros e Prado). No início da sua
laboração, estas fábricas utilizavam a roda hidráulica como força motriz,
restando apenas fotografias desse tempo.
No entanto, não foram apenas as
fábricas a utilizar a roda hidráulica, os diversos sistemas de moagem (azenhas)
espalhados pela região bem como os terrenos de produção agrícola existentes na
freguesia também utilizaram este sistema de rega. Testemunho desta época, subsiste
hoje apenas uma roda de ferro na freguesia. A roda hidráulica era um sistema de
retirar água, mas não o único, também o território da freguesia é “pintalgado”
com outros engenhos tradicionais, nomeadamente as noras e picotas.
Os registos históricos documentam
a presença e evolução destes sistemas de retirar água na freguesia pelo menos
dos finais do século XIX:
“1884 – Sebastião Marques, da Fervença, tinha
uma roda de regar entre as Lapas e Porto de Cavaleiros e estava a construir um
canal de alvenaria, ao que parece para construir um moinho.”[i]
1.
Rodas Hidráulicas
A energia hidráulica no nosso
país foi até à generalização da máquina a vapor importante para o
desenvolvimento da indústria e por isso a instalação de grandes fábricas junto
aos cursos de água permanentes. Por um lado, porque a água era fundamental para
o desenrolar das várias fases do processo de produção, por outro lado, porque
os cursos dos rios eram um fator energético importante. Nos países em que se
verificava a escassez do carvão a energia hidráulica teve até ao final do
século XIX um papel importante para a utilização intensiva da roda hidráulica
Funcionamento
e estrutura
Nas rodas, a
água serve simultaneamente como força motriz – que faz girar a estrutura com os
alcatruzes – e como recurso a ser elevado para a irrigação dos campos. Para que
a roda funcione é indispensável que haja uma corrente de água suficientemente
forte para fazer girar a roda e elevar a água. Só se pode, por isso, utilizar
em rios baixos, onde a água corre durante o verão.
Como nem todos
os rios oferecem naturalmente estas condições, é costume guiar a água na
direção da roda por meio de um canal largo, que vai estreitando cada vez mais.
Este canal tem o nome de sobre-calhão, e, no lugar mais estreito,
onde está mergulhada a extremidade inferior das rodas, cujas penas lhe imprimem
o movimento giratório, chama-se calhão.
O suporte da roda.
Tradicionalmente conhecido como burra, era inicialmente construído em
madeira de pinheiro manso, passando posteriormente a ser de alvenaria. O
restante engenho, à exceção do eixo (fabricado em madeira de carvalho pela sua
resistência), era construído em pinheiro bravo, pois o pinheiro manso, embora
dure mais, torce com o calor[ii].
O funcionamento da roda
hidráulica assemelhava-se ao das azenhas, surgindo frequentemente associados: a
água que corria pelo mesmo canal ou gola movia os dois aparelhos.
Junto ao rio Nabão existiram pelo
menos oito rodas hidráulicas. Algumas dedicadas exclusivamente à irrigação,
outras utilizadas como força motriz das fábricas e dos moinhos.
1.1.
Roda de ferro junto ao rio Nabão (entre as Lapas e o Sobreirinho)
Esta roda, construída em ferro,
apresenta uma estrutura significativamente mais sólida que as construídas em
madeira. Os alcatruzes presos aos arcos da roda, são feitos de folha de metal.
A água elevada é vertida numa calha de alumínio, que por sua vez, a encaminha
para uma levada de cimento.
Coordenadas: 39.65631915021742,
-8.40895820142228
Figura 1 - Roda de
ferro localizada no Rio Nabão
Fonte:
Fotografia do autor, 2020
1. 1.2 Roda junto
à Fábrica de Papel do Sobreirinho (Início em 1868)
Tratava-se de
uma roda de madeira que, à semelhança da estrutura da Fábrica de Porto de
Cavaleiros, servia de apoio ao funcionamento.
Figura 2
- Roda na Fábrica de Sobreirinho
Fonte: Arquivo digital
(Facebook), anterior a 1990
Figura 3
- Canal ou gola da Roda junto à Fábrica do Sobreirinho
Fonte:
Fotografia do autor, 2020
1. 1.3. Roda da
Fábrica de Papel de Porto de Cavaleiros (Inauguração em 1882)
Figura 4
- Roda na Fábrica de Porto de Cavaleiros
Fonte: Arquivo digital (Facebook), anterior a 1990
1 1.4. Roda junto
ao Sobreirinho
Figura 5
- Roda localizada na margem direita do rio Nabão no Sobreirinho
Fonte: Fotografia de Casimiro
Cacho, 2010
1.5. Antiga localização da Roda junto ao Caldeirão
Segundo a D. Ilda Henriques (Pedreira) havia uma roda
nas hortas perto do Prado de Joaquim Correia e outra nas hortas do Caldeirão de
José Neto.
Figura 6
- Suporte da roda ou burra em frente à fonte do Caldeirão
Fonte: Fotografia de Nuno
Ferreira, dezembro de 2021
1.6. Roda?
Figura 7
- Fotografia existente na Casa do Cabeço na Póvoa
Fonte: Fotografia de Margarida Pacheco, 2010
1.7.
Roda em Porto da Figueira (entre o Canteirão e
Porto de Cavaleiros)
Figura 8 – Roda no Porto da
Figueira
Fonte: Fotografia de Filo Neves,
2010
Figura 9 - Roda no Porto
Figueira 1940
Fonte: Fotografia de Margarida Pacheco, 2010
2.
Picotas
A picota – termo com origens linguísticas atribuídas ao
céltico, árabe ou francês? Engenho simples, tosco em madeira, que serve
para tirar água dos poços pouco fundos ou de vales, rios e ribeiras, para as
regas, formada por uma longa vara ou tronco basculante, o vaivém,
chamado balança, balanço, esteio ou cambão, de pinheiro, eucalipto, ... ,
que se apoia, através de um eixo, num prumo ou poste vertical, denominado pégão
ou pilar, forquilha ou garfo e tem numa das extremidades
um peso devidamente calculado, uma simples pedra e na outra suspenso,
de duma haste rígida- a varela-, onde fica preso o balde de zinco ou de
madeira, destinado à elevação da água, que é deitada no tombadouro ou
tabuleiro, que podia ser de zinco ou madeira, indo de seguida, para os regos ou
leiras para fazer a rega direta. Este aparelho também é conhecido por cegonha (semelhança
com esta ave pernalta), burra. Na freguesia da Serra (Tomar) era conhecida por
gaivota ou balança.
Tratava-se de um trabalho árduo e penoso, realizado
por homens e mulheres, pouco amigo de suas mãos. Uma manhã agarrado a uma
varela, era uma manhã que não agradava a ninguém. Normalmente, a água não era
armazenada, seguindo, diretamente, para as terras a regar, o que exigia mais
uma pessoa para a encaminhar até ao destino[iii].
Coordenadas: 39.6872830620719,
-8.41136626580029
Figura 10 - Picota junto à
Travessa da Lagoa no Vale do Poço
Fonte: Fotografia do autor, setembro de 2013
3.
Noras
A nora é um engenho
para tirar água dos poços, ribeiras e rios. As noras das imagens que se seguem possuem
uma haste horizontal (cambeão do engenho) acoplada a um eixo vertical que por sua
vez está ligado a um sistema de rodas dentadas. Este sistema faz circular um
conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície. Os alcatruzes
descem vazios, enchem-se no fundo do poço, regressam e quando atingem a posição
mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz para horta ou para
pequenos tanques de pedra. É um engenho de tração animal (burro ou mula com os
olhos tapados de lado), o qual é preso à haste horizontal e em movimentos
circulares (no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio) vai retirando a
água do poço. Vieram substituir as picotas ou cegonhas[iv].
Figura 11 - Nora com um tanque
de pedra
Fonte:
Fotografia de Nuno Ferreira, setembro de 2013
Figura 12 - Nora a caminho do
Cairrão
Fotografia de Nuno Ferreira,
setembro de 2013
Figura 13 - Nora junto à Fonte
do Caldeirão
Fotografia de Nuno Ferreira, setembro
de 2020
4.
A transição dos
sistemas de rega tradicionais
A picota e a nora eram sistemas de retirar água que
nem todos tinham (seja pela falta de capacidade financeira ou pelas condições
específicas no terreno), e por isso muitas vezes a água era retirada a baldes
com uma corda presa e depois puxada, ou com auxílio de uma roldana que estava
por cima do poço o que facilitava um pouco mais a subida dos baldes com água.
Com o passar do tempo e a
evolução tecnológica na agricultura, estes sistemas de retirar água caíram em
desuso, encontrando-se atualmente abandonados ou destruídos. Foram progressivamente
substituídos pelos motores e eletrobombas a gasolina, instalados junto às
margens do rio ou à boca dos poços, oferecem um caudal superior e constante,
encaminhando a água para os canais de rego abertos com a enxada ou para alguma
levada existente que por sua vez era encaminhada para os terrenos agrícolas.
Fontes bibliográficas:
Câmara Municipal de Tomar. (outubro de 1992). Boletim
Cultural da Câmara Municipal de Tomar nº17. O rio, as rodas e os açudes,
pp. 45-47.
https://capeiaarraiana.pt/2015/04/22/as-culturas-de-regadio/ (consultado a 18ago26)
[i]
[ii] https://books.openedition.org/etnograficapress/6158
09fev2022 (consultado a 18ago26)
[iii] https://jf-fanhoes.pt/azenhas-picotas-e-noras/ (consultado a 18ago26)
[iv] https://aldrabaassociacao.blogspot.com/2014/05/a-picota-um-engenho-do-patrimonio.html (consultado a 18ago26)