quinta-feira, 30 de março de 2023

Lagar Velho - Póvoa

 No canto do Lagar Velho existem estas ruínas do que realmente parece ter sido um lagar de moer azeitona.

Coordenadas Google: 39.6559034,-8.4045425















quinta-feira, 23 de março de 2023

A Taberna da "ti Maria Duarte"

 

Localização/Descrição: Póvoa, a Taberna na rua Principal, a Mercearia na rua de S. Lourenço.

Taberna
Mercearia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Os açudes da freguesia de Além da Ribeira e Pedreira



A nossa freguesia tem dois cursos de água, o Rio Nabão que atravessa toda a freguesia e a Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira que desagua no Rio Nabão do lado da antiga freguesia de Além da Ribeira, e é aqui em ambos os cursos de água que se encontram os açudes, moldando a paisagem e proporcionando espelhos de água lindíssimos bem como bonitas cascatas.

“O homem medieval transforma e melhora o curso de água, moderando a corrente por meio de açudes e de engenhos hidráulicos. O emprego da energia hidráulica permitirá um reordenamento do espaço físico e, com ele o controle da paisagem rural e urbana: contribuirá, também, para o crescimento económico e consequente alteração orgânica da vida social (Ponte).”

 

Os açudes (todos eles de alvenaria) são identificados pela ordem que vão surgindo de norte para sul.

Apenas consegui obter informação mais pormenorizada dos açudes no Rio Nabão à exceção do açude do Caldeirão.

1 – Açudes na Ribeira da Fervença/Póvoa/Milheira

 

1.1 - Açude do Curto

Coordenadas: 39°68032, -8°38880

                                       

Figura 1 - Açude do Curto Fonte: Fotografia de NF Dez14

1.2 – Açude de Vale da Marinha

Coordenadas: 39.66939, -8.39519



Figura 2- Açude do Vale da Marinha Fonte: Fotografia de NF Mar24

1.3 - Açude Casal de Baixo

Coordenadas: 39°66944, -8°39511

                                         

Figura 3 - Açude do Casal de Baixo Fonte: Fotografia de NF Ago13

Figura 4 - Açude do Casal de Baixo - parte de cima - Fonte: Fotografia de NF Out07

1.4 – Açude da Fervença

Coordenadas: 39°66638, -8°39777


Figura 5 - Açude da Fervença Fonte: Fotografia de NF Ago13

Figura 6 - Açude da Fervença Fonte: Fotografia de NF Jan22

1.5 – Açude da Póvoa

Coordenadas: 39.65940, -8.40230


Figura 7 - Açude da Póvoa Fonte: Fotografia de NF Ago13

Figura 8 - Açude da Póvoa Fonte: Fotografia de NF Abr21

1.6 – Açude das Bicas

Coordenadas: 39.65397, -8.39853

                                

Figura 9 - Açude das Bicas Fonte: Fotografia de NF Ago13

 

1.7 – Açude da Loureira

Coordenadas: 39.64789, -8.40715

                                 

                                Figura 10 - Açude da Loureira Fonte: Fotografia da autora Nov14

 

2 – Açudes no Rio Nabão

Também todos os açudes são de alvenaria e por o Rio Nabão ter um maior caudal também são muito maiores em largura e em altura.

 

2.1 - Açude de Porto de Cavaleiros

Coordenadas: 39°65736 -8°42875

Data de construção: 1 de outubro de 1880. O velho açude dos moinhos de farinha fundados por Bartolomeu Testa na segunda metade do séc. XVIII foi reedificado. Em 1883 foram feitas obras de construção no açude transformando-o numa construção sólida.

Extensão: 45 m de comprimento

Altura: 4,5 m de comprimento

Material de Construção: Alvenaria

Função: Serve em primeiro lugar a roda elevatória de água, para consumo da fábrica, as turbinas e antiga roda hidráulica do maço de papel. O canal que serve a fábrica tem 20 m de extensão.

                              

        Figura 11 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Arquivo digital (Facebook)- anos 40

                        Figura 12 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Fotografia de NF Mai16

 
Figura 13 - Açude de Porto de Cavaleiros Fonte: Arquivo digital (Facebook)- anos 40

2.2 - Açude do Sobreirinho

Coordenadas: 39°65408, -8°41080

Data de construção: 1845(?)

Em 1845 “A ponte do Sobreirinho aguarda a sua reconstrução por o dono do moinho não a ter feito. Era um ponto de passagem dos povos de um para o outro lado do rio. Vários moradores da Póvoa queixam-se à Câmara pelo fato de Bartolomeu Testa dono do moinho do Sobreirinho ter feito um açude mais alto e querer por uma calçada no rio em vez de ponte;”

Altura: ? em 1874 os habitantes do lugar da Póvoa queixam-se do alteamento do açude da fábrica que impossibilitava a utilização da água da fonte do rio.

“Na sessão de 14 de Maio de 1875 e depois em 30 de Julho foi apresentado um requerimento de Silvério Costa Gonçalves, sócio-gerente da Fábrica de Papel do Sobreirinho, dizendo que alguns proprietários das rodas colocadas na parte inferior da mesma, por tal forma vão elevando os açudes das referidas rodas que nas águas represadas estorvam o regular andamento do motor da Fábrica, por ficar não pouco metido debaixo de água. Que na parte superior da Fábrica existe, marcada pela Câmara, a máxima altura a que se pode elevar a água do rio, e isto em benefício da agricultura; e como em presença desta demarcação não seja possível elevar-se nem o açude nem o motor da fábrica, pedia à Câmara providências;”

Material de construção: Alvenaria de pedra. Informações locais afirmam ser este um segundo açude que serviu de moinho acoplado à antiga fábrica de papel.

Construtor: Bartolomeu Testa, proprietário da fábrica e mestre da Fábrica do Papel do Prado. Foi remodelado por Silvério da Costa Marques.

Função: Serviu as rodas hidráulicas da fábrica e posteriormente a roda da azenha.


Figura 14 - Açude do Sobreirinho Fonte: Fotografia de NF Jul18


 Figura 15 - Açude do Sobreirinho Fonte: Fotografia de NF Abr08

 

2.3 - Açude da Fonte do Caldeirão

Coordenadas: 39.64504, -8.40984

 Este açude normalmente está submerso devido à sua menor altura ou talvez por ser anterior à data de construção do Açude do Prado.


Figura 16 - Açude do Caldeirão Fonte: Fotografia de NF Set20

Figura 17 - Açude do Caldeirão Fonte: Fotografia de NF Abr26

2.4 - Açude do Prado

Coordenadas: 39°64329, -8°40444

Data de construção: Existe uma chapa de bronze de 4cm de diâmetro com a data de construção – 20/9/1822

Extensão:107,10m

Altura: 3,40m

Material de construção: Alvenaria em pedra com reboco em algumas paredes.

Sistema de comportas: É muito curioso o sistema de comportas do canal que se dispõe da seguinte forma: a 1ªcomporta do lado esquerdo do canal, logo após o fim do açude, serve de descarga e foi montado em 5-11-1931: seguem-se seis comportas em ferro e chama de tábuas de madeira, cuja função era reguladora do nível do canal. Tem inscrito o seguinte: Fábrica do Prado. Montagem em 17-8-1935. Logo a seguir segue-se uma casa por cima do canal, mais antiga que as comportas e que deveria ser a casa do valador que procedia à limpeza do canal; seguia-se uma terceira derivação, agora à direita, com comporta que abria para a Quinta da Granja, tendo, pois, uma função meramente agrícola. Finalmente junto à casa das turbinas estavam mais três comportas datadas de 8-9-1936, duas para as turbinas mecânicas e outra para a turbina do motor elétrico.

Obs. No açude, junto à escada que desce para o rio está indicado um nível que se julga ser o de uma cheia (1-10-1906). Junto à casa das turbinas estão indicados por ordem de grandeza três cheias (1ª -1909-22-11; 2ª – 1915-29-11; 3ª -1936/18/2).

Função: represar a água que servem a Fábrica de papel do Prado. Depois do açude as águas são trazidas à fábrica por um canal de 307,10m de comprimento, 6,50m de largura e 2m de altura.


Figura 18 - Açude do Prado Fonte: Arquivo digital (Facebook)

Figura 19 - Vista Aérea Açude do Prado Fonte: Fotografia da autora Mar23

2.5 - Açude da Pedra – Açude da Real Fábrica da Fiação (antiga localização da Ponte da Granja) (Cultural, 2022) - 1789

Coordenadas: 39.62014, -8.40662

“O açude que a (Real Fábrica da Fiação) servia foi levantado em 1789, no local da antiga ponte da Granja, destinando -se ao represamento das águas do rio Nabão para produção da energia hidráulica que devia acionar as máquinas de fiação e cardagem. Assente no leito fluvial rochoso, e detendo uma notável integração paisagística, o açude consiste numa muralha angular disposta entre as duas margens, formada por dois lanços desiguais, e completada pelo canal que conduzia a água para a fábrica, com abertura regulada por cinco adufas. No lanço menor da muralha ficavam as comportas de descarga do açude. Esta estrutura possibilitou a introdução da energia elétrica nas suas instalações fabris, precedendo o futuro uso da eletricidade como força motriz.” (Diário da República, 2013)

“As águas deste açude ainda eram responsáveis pelo funcionamento de engenhos de produção de farinha e azeite de propriedade dos freires do Convento de Cristo, além de elevar água para a rega das terras da Comenda do Prado e Quinta da Granja...” (Marques, 2021) 

Figura 20- Açude de Pedra Fonte: Fotografia de NF Mar21

Outros açudes:

“Em 22 de abril de 1685 foi mandado demolir um açude e levada no sítio das Lapas, que um habitante da Milheira tinha feito para um Moinho no rio Nabão.” (Rosa, 1965)

A imagem que se segue parece ser onde se situou o açude, tendo em conta que também é aqui que se encontram umas pedras que parecem ter pertencido ao moinho.

Figura 21 - Açude das Lapas? Fonte: Fotografia de NF Set15

Bibliografia

Câmara Municipal de Tomar. (outubro de 1992). Boletim Cultural da Câmara Municipal de Tomar nº17. O rio, as rodas e os açudes, pp. 45-47.

Costa, F. S. (24 de 02 de 2022). Obtido de https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/22554/4/Aproveitamentos%20hidr%C3%A1ulicos%20no%20rio%20Ave_F.Costa.pdf

Cultural, P. (20 de fevreiro de 2022). Açude da Fábrica de Fiação de Tomar. Obtido de PatrimónioCultural.gov.pt: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71263

Diário da República. (13 de Maio de 2013). Diário da República, 2.ª série — N.º 91 . Obtido de Diário da República: https://files.dre.pt/2s/2013/05/091000000/1504815049.pdf

Ferreira, F. (1976). Coisas Simples da Terra Tomarense - O Rio, os Açudes e as Rodas. Tomar: Junta Distrital de Santarém.

Marques, C. X. (2021). Clara Xavier Marques - Repositório da Universidade de Lisboa. Obtido de Clara Xavier Marques - Repositório da Universidade de Lisboa: file:///C:/Users/Cristina/Downloads/Marques_Clara%20Xavier_2021%20(1).pdf

Ponte, S. d. (s.d.). Tomar: História e Geografias Humanas no Tempo e no Espaço. Tomar.

Rosa, A. (1965). História de Tomar I. Tomar: Gabinete de Estudos Tomarenses.

Rotary Clube de Tomar. (s.d.). O maravilhoso rio Nabão, Monografia do rio Nabão. Tomar: Acitofeba.

Torrejais, A. (2008). Salvaguarda e Valorização de Bens Culturais do Concelho de Ferreira do Zêzere. Ferreira do Zêzere: Fundação Maria Dias Ferreira.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Os sistemas de retirar água para a indústria e agricultura da União de Freguesia de Além da Ribeira e Pedreira

O território da freguesia é atravessado pelo rio Nabão que permitiu a construção das três grandes fábricas de papel (Sobreirinho, Porto de Cavaleiros e Prado). No início da sua laboração, estas fábricas utilizavam a roda hidráulica como força motriz, restando apenas fotografias desse tempo.

No entanto, não foram apenas as fábricas a utilizar a roda hidráulica, os diversos sistemas de moagem (azenhas) espalhados pela região bem como os terrenos de produção agrícola existentes na freguesia também utilizaram este sistema de rega. Testemunho desta época, subsiste hoje apenas uma roda de ferro na freguesia. A roda hidráulica era um sistema de retirar água, mas não o único, também o território da freguesia é “pintalgado” com outros engenhos tradicionais, nomeadamente as noras e picotas.

Os registos históricos documentam a presença e evolução destes sistemas de retirar água na freguesia pelo menos dos finais do século XIX:

1884 – Sebastião Marques, da Fervença, tinha uma roda de regar entre as Lapas e Porto de Cavaleiros e estava a construir um canal de alvenaria, ao que parece para construir um moinho.”[i]

 

1.       Rodas Hidráulicas

A energia hidráulica no nosso país foi até à generalização da máquina a vapor importante para o desenvolvimento da indústria e por isso a instalação de grandes fábricas junto aos cursos de água permanentes. Por um lado, porque a água era fundamental para o desenrolar das várias fases do processo de produção, por outro lado, porque os cursos dos rios eram um fator energético importante. Nos países em que se verificava a escassez do carvão a energia hidráulica teve até ao final do século XIX um papel importante para a utilização intensiva da roda hidráulica (Matos, 2002).

Funcionamento e estrutura

Nas rodas, a água serve simultaneamente como força motriz – que faz girar a estrutura com os alcatruzes – e como recurso a ser elevado para a irrigação dos campos. Para que a roda funcione é indispensável que haja uma corrente de água suficientemente forte para fazer girar a roda e elevar a água. Só se pode, por isso, utilizar em rios baixos, onde a água corre durante o verão.

Como nem todos os rios oferecem naturalmente estas condições, é costume guiar a água na direção da roda por meio de um canal largo, que vai estreitando cada vez mais. Este canal tem o nome de sobre-calhão, e, no lugar mais estreito, onde está mergulhada a extremidade inferior das rodas, cujas penas lhe imprimem o movimento giratório, chama-se calhão.

O suporte da roda. Tradicionalmente conhecido como burra, era inicialmente construído em madeira de pinheiro manso, passando posteriormente a ser de alvenaria. O restante engenho, à exceção do eixo (fabricado em madeira de carvalho pela sua resistência), era construído em pinheiro bravo, pois o pinheiro manso, embora dure mais, torce com o calor[ii].

O funcionamento da roda hidráulica assemelhava-se ao das azenhas, surgindo frequentemente associados: a água que corria pelo mesmo canal ou gola movia os dois aparelhos.

Junto ao rio Nabão existiram pelo menos oito rodas hidráulicas. Algumas dedicadas exclusivamente à irrigação, outras utilizadas como força motriz das fábricas e dos moinhos.

 

1.1. Roda de ferro junto ao rio Nabão (entre as Lapas e o Sobreirinho)

Esta roda, construída em ferro, apresenta uma estrutura significativamente mais sólida que as construídas em madeira. Os alcatruzes presos aos arcos da roda, são feitos de folha de metal. A água elevada é vertida numa calha de alumínio, que por sua vez, a encaminha para uma levada de cimento.

Coordenadas: 39.65631915021742, -8.40895820142228

Roda perto do Sobreirinho - 2020Roda perto do Sobreirinho - 2020

Figura 1 - Roda de ferro localizada no Rio Nabão

Fonte: Fotografia do autor, 2020

1.            1.2 Roda junto à Fábrica de Papel do Sobreirinho (Início em 1868)

 

Tratava-se de uma roda de madeira que, à semelhança da estrutura da Fábrica de Porto de Cavaleiros, servia de apoio ao funcionamento.

                                

Figura 2 - Roda na Fábrica de Sobreirinho

Fonte: Arquivo digital (Facebook), anterior a 1990

                                         Localização da roda na antiga fábrica do Sobreirinho - 2013

Figura 3 - Canal ou gola da Roda junto à Fábrica do Sobreirinho

Fonte: Fotografia do autor, 2020

 

1.      1.3. Roda da Fábrica de Papel de Porto de Cavaleiros (Inauguração em 1882)

 


Figura 4 - Roda na Fábrica de Porto de Cavaleiros

Fonte: Arquivo digital (Facebook), anterior a 1990

1      1.4.  Roda junto ao Sobreirinho


 

Figura 5 - Roda localizada na margem direita do rio Nabão no Sobreirinho

Fonte: Fotografia de Casimiro Cacho, 2010

 

    1.5. Antiga localização da Roda junto ao Caldeirão

Segundo a D. Ilda Henriques (Pedreira) havia uma roda nas hortas perto do Prado de Joaquim Correia e outra nas hortas do Caldeirão de José Neto.

                                             Suporte Roda em frente Fonte do Caldeirão - 2021

Figura 6 - Suporte da roda ou burra em frente à fonte do Caldeirão

Fonte: Fotografia de Nuno Ferreira, dezembro de 2021

1.6. Roda?

 


Figura 7 - Fotografia existente na Casa do Cabeço na Póvoa

Fonte: Fotografia de Margarida Pacheco, 2010

1.7. Roda em Porto da Figueira (entre o Canteirão e Porto de Cavaleiros)

Figura 8 – Roda no Porto da Figueira

Fonte: Fotografia de Filo Neves, 2010

                       

Figura 9 - Roda no Porto Figueira 1940

Fonte: Fotografia de Margarida Pacheco, 2010

2.      Picotas

A picota – termo com origens linguísticas atribuídas ao céltico, árabe ou francês? Engenho simples, tosco em madeira,  que serve para tirar água dos poços pouco fundos ou de vales, rios e ribeiras, para as regas, formada por uma longa vara ou tronco basculante, o vaivém, chamado balança, balanço, esteio ou cambão, de pinheiro, eucalipto, ... , que se apoia, através de um eixo, num prumo ou poste vertical, denominado pégão ou pilar, forquilha ou garfo e tem numa das extremidades um peso devidamente calculado, uma simples pedra e na outra suspenso, de duma haste rígida- a varela-, onde fica preso o balde de zinco ou de madeira, destinado à elevação da água, que é deitada no tombadouro ou tabuleiro, que podia ser de zinco ou madeira, indo de seguida, para os regos ou leiras para fazer a rega direta. Este aparelho também é conhecido por cegonha (semelhança com esta ave pernalta), burra. Na freguesia da Serra (Tomar) era conhecida por gaivota ou balança.

Tratava-se de um trabalho árduo e penoso, realizado por homens e mulheres, pouco amigo de suas mãos. Uma manhã agarrado a uma varela, era uma manhã que não agradava a ninguém. Normalmente, a água não era armazenada, seguindo, diretamente, para as terras a regar, o que exigia mais uma pessoa para a encaminhar até ao destino[iii].

 

Coordenadas: 39.6872830620719, -8.41136626580029

Figura 10 - Picota junto à Travessa da Lagoa no Vale do Poço

                  Fonte: Fotografia do autor, setembro de 2013

 

Imagem de uma picota mais completa, onde se vê o poço delimitado por estacas de madeira

3.      Noras

A nora é um engenho para tirar água dos poços, ribeiras e rios. As noras das imagens que se seguem possuem uma haste horizontal (cambeão do engenho) acoplada a um eixo vertical que por sua vez está ligado a um sistema de rodas dentadas. Este sistema faz circular um conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície. Os alcatruzes descem vazios, enchem-se no fundo do poço, regressam e quando atingem a posição mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz para horta ou para pequenos tanques de pedra. É um engenho de tração animal (burro ou mula com os olhos tapados de lado), o qual é preso à haste horizontal e em movimentos circulares (no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio) vai retirando a água do poço. Vieram substituir as picotas ou cegonhas[iv].

 


Figura 11 - Nora com um tanque de pedra

Fonte: Fotografia de Nuno Ferreira, setembro de 2013

 


Figura 12 - Nora a caminho do Cairrão

Fotografia de Nuno Ferreira, setembro de 2013

                                        

Figura 13 - Nora junto à Fonte do Caldeirão

Fotografia de Nuno Ferreira, setembro de 2020

4.       A transição dos sistemas de rega tradicionais

A picota e a nora eram sistemas de retirar água que nem todos tinham (seja pela falta de capacidade financeira ou pelas condições específicas no terreno), e por isso muitas vezes a água era retirada a baldes com uma corda presa e depois puxada, ou com auxílio de uma roldana que estava por cima do poço o que facilitava um pouco mais a subida dos baldes com água.

Com o passar do tempo e a evolução tecnológica na agricultura, estes sistemas de retirar água caíram em desuso, encontrando-se atualmente abandonados ou destruídos. Foram progressivamente substituídos pelos motores e eletrobombas a gasolina, instalados junto às margens do rio ou à boca dos poços, oferecem um caudal superior e constante, encaminhando a água para os canais de rego abertos com a enxada ou para alguma levada existente que por sua vez era encaminhada para os terrenos agrícolas.

 

Fontes bibliográficas:

Câmara Municipal de Tomar. (outubro de 1992). Boletim Cultural da Câmara Municipal de Tomar nº17. O rio, as rodas e os açudes, pp. 45-47.

 Matos, A. C. (2002). Indústria e ambiente no século XIX. Em Ler História,42 (pp. 119-152). Évora.

https://capeiaarraiana.pt/2015/04/22/as-culturas-de-regadio/ (consultado a 18ago26)